A procuradora francesa Laure Beccuau afirmou que uma dezena de novas alegadas vítimas de Jeffrey Epstein foi ouvida pelo Ministério Público de Paris. A investigação centra-se em indícios de tráfico de seres humanos ligados ao pedófilo, já morto, em 2019.
O Ministério Público de Paris abriu uma investigação alargada, após a divulgação de ficheiros do Governo dos EUA. O objetivo é identificar pessoas que possam ter ajudado Epstein a facilitar os seus crimes em França, nomeadamente através do fornecimento de jovens raparigas.
Até agora, segundo Beccuau, nenhuma pessoa potencialmente implicada foi ouvida. O total de vítimas que denunciaram abusos já ronda duas dezenas, com 10 casos acrescentados recentemente ao inquérito.
As denúncias incluem relatos de menores que teriam sido exploradas por Epstein e por cúmplices no país. Entre os nomes mencionados no passado estão o agente de manequins Jean-Luc Brunel, falecido em 2022, e Gérald Marie, ex-dirigente da agência Elite, que negou as acusações.
Beccuau explicou que várias vítimas estão no estrangeiro. A equipa de investigação já recuperou equipamentos de Epstein, incluindo um computador, telefones e cadernos de contactos, que estão a ser analisados.
Observou ainda que serão apresentados pedidos de cooperação judiciária internacional. O objetivo é compreender as relações entre Epstein e os demais alegados envolvidos em França antes de avançar para ouvir pessoas mencionadas.
Paralelamente, outra linha de averiguação incide sobre Daniel Siad, apontado como recrutador de Epstein; o inquérito em Paris já envolve denúncias de potenciais vítimas a Siad. A Procuradoria mantém o foco na rede de Epstein em território nacional.
Epstein manteve laços com elites políticas e económicas globais. Foi detido em julho de 2019 por exploração sexual de menores e associação criminosa e, em agosto do mesmo ano, foi encontrado morto na cela, em circunstâncias classificadas como suicídio.
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