Durante a última década, os painéis solares associaram-se a uma redução de custos, com quedas superiores a 90% no preço dos módulos PV e das baterias. O impacto geopolítico e fiscal recente ameaça inverter parte dessa tendência, colocando em foco se os preços podem subir novamente.
A União Europeia descreve a energia solar como uma peça-chave da transição energética, tendo o sol representado 23,4% do consumo de eletricidade em 2024. No entanto, a produção depende amplamente de fornecedores externos, com a China a responder por quase todo o stock importado pelo bloco. A competição global, aliada à volatilidade dos combustíveis fósseis, tem impulsionado o debate sobre o custo final para o consumidor.
Mudanças na China e IVA
A China implementou, desde 1 de abril de 2026, uma reforma fiscal que elimina o reembolso de 9% do IVA à exportação de painéis solares, e reduz para 6% o IVA na exportação de baterias. O fim do reembolso pode aumentar o preço dos módulos em cerca de 10%, segundo analistas. Países europeus registaram nos meses anteriores ao diploma um aumento expressivo de importações de painéis chineses, antevendo pressão de preços.
Especialistas destacam que o ajuste não resulta de imediato em alterações generalizadas de custo, uma vez que o mercado reage de forma gradual. Contudo, o custo de instalação pode já refletir aumentos, com relatos de aumentos significativos em alguns casos. Ainda assim, a procura por sistemas solares permanece elevada face à competitividade relativa da energia gerada.
Impacto nos materiais e custos
A prata continua a ser um componente crítico dos painéis solares, respondendo por até 30% dos custos de uma célula, apesar de representar menos de 5% do peso. O consumo global de prata para PV atingiu 4 mil toneladas em 2023, com perspetivas de subida para 20% do total até 2030. Orientações para substituição por cobre devem aliviar custos, estimando-se uma poupança anual global de cerca de 12,8 mil milhões de euros caso a transição se consolide.
O preço da prata subiu acentuadamente no início de 2026, impulsionando custos de produção. A elevada procura por cobre, alumínio e lítio, agravada pela incerteza geopolítica, também contribui para oscilações de preço. Analistas projetam que, somando o aumento de matérias-primas e o fim dos reembolsos na China, alguns componentes podem subir entre 15% e 20.
Perspetivas e contexto geral
Mesmo com a volatilidade, os preços da energia solar mantêm-se, em média, cerca de 50% abaixo dos valores de 2023, mantendo a solar entre as fontes mais económicas de eletricidade. A procura por painéis e baterias na Europa tem crescido, à medida que os consumidores consideram a eletrificação de habitações como uma resposta à volatilidade do mercado energético. A evolução depende, contudo, de políticas públicas, cadeias de abastecimento e evolução dos preços de metais.
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