A Frente Comum de sindicatos na Administração Pública pediu neste días que o Governo avance com aumentos intercalares de salários em 2026 e apelou à participação dos funcionários públicos na greve geral de 3 de junho. A intervenção ocorreu em conferência de imprensa, pouco depois de a CGTP ter apresentado o pré-aviso de paralisação.
Sebastião Santana, coordenador da Frente Comum, acusou o Governo de cegueira face às necessidades dos trabalhadores e garantiu que a greve geral é uma oportunidade para reivindicar aumentos intercalares e melhorar os serviços públicos. O sindicalista destacou que a paralisação envolve trabalhadores de todas as áreas, independentemente da profissão ou filiação sindical.
Em janeiro, a Frente Comum entregou ao Executivo um pedido de negociação de um aumento intercalar, mas, até agora, o Governo não respondeu. Santana lembrou ainda que, passados quatro meses, a situação económica agravou-se com o aumento de habitação, combustíveis e cabaz alimentar.
Greve geral e reivindicações
Este ano, os trabalhadores da Administração Pública receberam um aumento de 56,58 euros ou 2,15% mínimo, conforme o Acordo Plurianual de Valorização dos Trabalhadores para 2026-2029, assinado com a Fesap e o STE, tendo a Frente Comum ficado de fora. O acordo prevê aumentos de 60,52 euros ou 2,30% para 2027, 2028 e 2029.
Santana afirmou que, nas reuniões setoriais com o Governo, há consenso sobre a necessidade de discutir o aumento intercalar, mas o Governo tem adiado as respostas. O coordenador rejeitou que a deterioração económica justifique a posição das entidades laborais, assinalando que o custo do trabalho é apenas um factor entre muitos.
O líder sindical reiterou que a greve geral visa contestar o pacote laboral, exigir melhores serviços públicos e valorização salarial. A CGTP entregou o pré-aviso da paralisação sob o lema Derrotar o pacote laboral.
Contexto negocial
As negociações sobre a reforma das leis do trabalho terminou em 7 de maio sem acordo entre o Governo e os parceiros sociais. A ministra do Trabalho acusou a UGT de intransigência, enquanto a central sindical sustentou que o executivo avançava e recuava de forma constante nas propostas. O Governo não assumeu posições definitivas até ao momento.
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