O presidente da Câmara de Cascais, Nuno Piteira Lopes, afirma que o acordo com o Chega não trai o legado de Carlos Carreiras e justifica mudanças políticas. Em entrevista ao JN/TSF, diz estar pronto para gerir a Linha de Cascais, mantendo viagens gratuitas para os cascalenses.
O autarca explica que convidou todos os vereadores eleitos para o Executivo, incluindo do PS, independentes e do Chega. O Chega só aceitou, segundo ele, quando decidiu trabalhar pela cidade.
Não há traição ao legado de Carreiras, ressalva. O PSD de Cascais apoiou a decisão de integrar o Chega no Executivo, acrescentando que a prioridade é resolver problemas de quem vive no concelho.
Não houve mudança de postura para o Executivo após a entrada do Chega, afirma. O foco está em atender necessidades de empresas e munícipes, independentemente da filiação partidária.
Habitação e mobilidade
Foram anunciadas 4600 habitações de investimento de 507 milhões de euros, com soluções de arrendamento jovem e arrendamento apoiado. O objetivo é responder a jovens, classe média e atrair talento, com construção nova e reabilitação do parque público.
Entre 6 meses de mandato, já foram entregues cerca de 200 alojamentos; uma candidatura recente envolveu 720 munícipes para 174 apartamentos prontos. A cidade pretende manter o ritmo, sujeita a factores externos.
A Câmara diz ter direito de preferência sobre 450 mil m2 na Aldeia de Juso-Birre-Areia, para parque verde e habitação municipal. Considera manter o instrumento para evitar especulação imobiliária, se o valor de mercado for subavaliado.
A gratuitidade dos transportes municipais, desde 2020, continua. Cascais pretende estender a gratuitidade à Linha de Cascais com a gestão partilhada entre Cascais, Oeiras e Lisboa, sob aprovação governamental.
Segurança, descentralização e finanças
O ministro das Infraestruturas é visto como favorável a uma gestão partilhada da linha. A TML deverá estar envolvida, conforme o município, para garantir viabilidade. Há planos de melhorar património das estações, iluminação e acessibilidade.
Foi anunciada a abertura de 100 polícias municipais adicionais, elevando o quadro para 180. O objetivo é reforçar serviços locais, em áreas como Escola Segura e apoio ao idoso.
Sobre descentralização, Cascais defende avaliação das competências já transferidas e alterações nas finanças locais. A redução de receitas da educação e saúde municipais é destacada como ponto a resolver.
A versão atual da Lei das Finanças Locais deve adaptar-se às características de cada território, assegurando receitas adequadas para a coesão regional. A regionalização é rejeitada, mantendo-se a descentralização já em curso.
A entrevista foi transmitida no domingo, ao meio-dia, na TSF.
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