A Pollen, startup portuguesa, lançou em Lisboa uma rede de troca de baterias para motos eléctricas. O objetivo é tornar o carregamento tão rápido quanto abastecer com gasolina, no contexto de uma maior electrificação urbana. O projeto surge para enfrentar a fragmentação entre fabricantes.
A empresa, criada por Rui Bento e Miguel Morgado, aposta numa bateria universal compatível com várias marcas. A tecnologia ECS ajusta a tensão da bateria às necessidades de cada veículo, permitindo trocar a bateria em minutos com uma simples dock.
A solução é pensada para uso urbano, com baterias leves. Cada unidade pesa 7,1 kg e tem 1,5 kWh de capacidade. Modelos menores utilizam duas baterias; os maiores, quatro. A autonomia média anunciada situa-se em torno de 100 km em cidade.
As primeiras estações ficam em Lisboa, nas Amoreiras, Alvalade e Lumiar, em parceria com a Galp. A meta para este ano é multiplicar por 10 o número de postos na cidade, assegurando uma estação perto de cada utilizador.
O modelo funciona por subscrição mensal, que inclui energia e acesso à rede de troca. Os preços ainda não foram divulgados, mas a empresa prevê custos mensais inferiores aos gastos actuais com combustível.
Uma diferença relevante é a separação entre o veículo e a bateria, que continua na posse da Pollen. Assim, o preço de compra da moto pode descer, tornando o modelo atrativo para entregas e estafetas, público-alvo inicial.
A empresa também aborda a sustentabilidade do ciclo de vida das baterias de lítio. Cada unidade é diagnosticada na entrada numa estação e, quando cai para menos de 80% de capacidade, é recolocada em sistemas de armazenamento estacionário.
Recentemente, a Pollen captou 3,2 milhões de euros junto de investidores internacionais, entre eles Pale Blue Dot e Kfund. O financiamento visa expandir a rede em Lisboa e preparar a entrada noutros mercados, com prioridade na Península Ibérica.
A ambição é chegar a 100 milhões de viagens diárias sem combustíveis fósseis. O projeto pode acelerar a electrificação das duas rodas na Europa, posicionando Lisboa como laboratório e o mundo como objetivo da rede de baterias universal.
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