A Comissão Europeia vai eliminar gradualmente a utilização de inversores fabricados na China em projetos de energia financiados pela UE. A medida visa proteger infraestruturas críticas e evitar riscos cibernéticos que possam causar cortes de energia.
Segundo um funcionário da UE, foram identificadas ameaças graves à economia e à cibersegurança, com base em provas classificadas e informações públicas fornecidas por vários Estados-Membros. A avaliação envolve potenciais impactos sobre redes elétricas.
A decisão surge num contexto de crescente dependência europeia de energias renováveis, especialmente solar e eólica, onde os inversores de fabricantes chineses podem representar vulnerabilidades. Empresas como Huawei e Sungrow são citadas no debate público.
Segurança económica
A UE descreve a medida como segurança económica, não industrial, mantendo elegíveis parceiros de confiança, como Japão e Coreia do Sul, para projetos financiados pela UE. A iniciativa pretende criar um padrão comum de cibersegurança.
A Comissão antecipa um efeito de arrasto, incentivando Estados-Membros e parceiros a adotarem abordagens semelhantes. A Lituânia já implementou restrições a tecnologias energéticas de alto risco.
Este passo acompanha uma política iniciada em dezembro de 2025, que visa reduzir dependências de fornecedores considerados de risco. A transição energética europeia torna mais crítica a proteção das tecnologias subjacentes.
Implementação prática
As regras aplicam-se a todos os instrumentos de financiamento da UE, diretos e indiretos, incluindo o BEI e o BERD. A gestão do risco ocorre via controles de projeto e condições de segurança financeira.
Projetos já em curso terão um período de transição. Até 1 de novembro de 2026, devem cumprir o quadro anterior ou receber medidas adicionais de cibersegurança. A partir de abril de 2027, a adoção de restrições será abrangente.
A Comissão definiu um calendário de aplicação: até 1 de julho de 2026, Serviços da UE devem rever atividades em curso. Uma nova avaliação em 15 de julho verificará a viabilidade de fornecedores alternativos.
Fornecedores alternativos
A Comissão indica capacidade de fornecimento suficiente entre Japão, Coreia do Sul, Suíça e EUA para suprir a procura. A participação de fabricantes chineses continua elevada, estimada em cerca de 80% do mercado.
A Corte de Comércio chinesa para a UE reagiu, dizendo que Pequim não usa energia como arma e que as tecnologias de inversores ajudam a transição energética. O organismo pede neutralidade tecnológica e cooperação estável.
Responsáveis pelo mercado energético afirmam que a proteção de cadeias de abastecimento não deve prejudicar concorrência nem investimento. A União mantém o objetivo de manter uma transição segura e sustentável.
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