O Comando Metropolitano de Lisboa da PSP e a representação portuguesa da Organização Internacional de Migrações defenderam que a divulgação das nacionalidades dos autores e vítimas de crimes pode contribuir para desfazer desinformação e reduzir discursos polarizadores. O debate ocorreu em Lisboa durante o colóquio sobre coesão social e polarização urbana, organizado pela Polícia Municipal de Lisboa.
Os responsáveis sustentam a necessidade de reconhecer as diferenças entre estrangeiros residentes e turistas, defendendo a transparência dos dados criminais para clarificar percepções públicas. Assinalam também que a criminalidade tem vindo a diminuir, ao longo da última década, apesar de crescente discurso de ódio nas redes e em alguns setores da sociedade.
Posição institucional e perspetivas
Vasco Malta, da OIM Portugal, frisou que conhecer números sobre estrangeiros envolvidos em crimes não invalida a necessidade de enfrentar perceções negativas, e apelou à integração a partir dos serviços de proximidade. Adiantou ainda que o país vive uma conjuntura económica favorável, com desemprego em mínimos históricos, o que atrai mais imigrantes.
Rana Taslim Uddin, representante da comunidade bengali em Lisboa, destacou o impacto dos imigrantes na sociedade, sublinhando que a imigração foi impulsionada por oportunidades de trabalho e que Portugal se tornou mais conhecido internacionalmente, o que atrai novos residentes.
António Brito Guterres, assistente social, apontou questões de acesso aos serviços públicos como violência política, sobretudo para imigrantes, e salientou a insegurança gerada por alterações legais migratórias. O especialista afirmou que a atracção de imigrantes depende de estímulos económicos e de um clima de acolhimento.
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