A greve de trabalhadores da saúde, convocada pelo STTS, levou ao cancelamento de consultas marcadas há longos meses e à suspensão de atos clínicos. O protesto decorre hoje e amanhã, entre as 00:00 e as 24:00, em várias unidades públicas de saúde. Os serviços afetados incluem consultas externas e cirurgias programadas.
No Hospital de Santa Maria, em Lisboa, utentes relataram atrasos e ausências de médicos, enquanto aguardavam pelo atendimento que não ocorreu. Emília Alves, de 65 anos, confirmou ter esperado uma consulta de oftalmologia durante uma hora sem sucesso. Espantou-se com a ausência do médico.
Fernando Bernardes, de 78 anos, de Torres Vedras, também ficou sem as análises marcadas para as 08:57. Dizia estar em greve e que as análises não foram realizadas. Ambos aguardam novas marcações, incertos quanto à data de remarcação.
Pressões sobre funcionários e testemunhos
Cristina Guerreiro, dirigente da Fesap, afirmou que auxiliares e técnicos são pressionados a trabalhar durante a greve. Em Lisboa, uma enfermeira-chefe é apontada como impedindo grevistas de realizar o turno, segundo relatos recebidos pela líder sindical. Os casos são reportados no Hospital Egas Moniz e no Hospital de São Francisco Xavier, da ULS Lisboa Ocidental.
Segundo Mário Rui, presidente do STTS, há ainda relatos de ameaças de processos disciplinares a trabalhadores que participam na greve. Situações ocorreram em Braga, São Teotónio (Viseu) e Lisboa (São José). Alega-se pressão para não faltar ao serviço.
Abrangência e próximos passos
O STTS indica que a greve abrange médicos, enfermeiros, auxiliares de saúde, assistentes técnicos e operacionais. O objetivo é reivindicar pagamento de horas extras e progressão na carreira, em atuação que envolve o setor público.
Para o dia 12 de maio, o SEP convocou nova greve nacional. A mobilização abrangerá serviços públicos, privados e sociais, com foco na dignificação da profissão e na resolução de questões laborais.
Entre na conversa da comunidade