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Poder local transforma o concelho de Tabuaço

Meio século de autarquias democráticas transforma Tabuaço, com água, saneamento e serviços ampliados, mas persiste falta de habitação e financiamento com descentralização

Miradouro em forma de cacho de uva, em Valença do Douro, no concelho de Tabuaço.
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A transformação que o poder local operou em Tabuaço, no Douro, ao longo de cinco décadas, é o foco de uma análise apresentada numa mesa-redonda durante o Dia do Município. O debate, promovido pelo JN, TSF e Jogo, cruzou passado e presente para mostrar como o concelho evoluiu de aldeias sem água nem saneamento para uma gestão municipal com impacto na educação, saúde, cultura e associações.

Em 1976, no início das autarquias locais livres, muitas freguesias de Tabuaço viviam sem água canalizada, saneamento, recolha de lixo ou vias adequadas. Meia centena de anos depois, a imagem do concelho é marcada por intervenções públicas que aumentaram a qualidade de vida.

António Lara recorda que, nessa altura, as autarquias funcionavam com muito pouco recurso, quase por “carolice”, dependentes de apoios da Câmara para abrir caminhos ou levar água às casas. A esses relatos junta-se a perspetiva atual de que o município cresceu em áreas como educação, saúde e ação social.

José João Patrício, atual presidente da Câmara, descreveu a mudança como uma revolução que mudou o dia a dia dos munícipes. A proximidade institucional é uma marca, com frequentes contatos entre autoridades locais e cidadãos à porta de casa.

Thomas Egger, empresário local, reforçou que Tabuaço ganhou condições para ampliar o turismo no Douro, destacando a posição geográfica da vila acima do rio e a relação entre qualidade, preços acessíveis e atratividade turística.

Paulo Mota, enólogo, destacou o papel das autarquias na defesa de uma organização eficiente da viticultura. O foco recai sobre pequenos e médios produtores como pilares da paisagem que sustenta o turismo na região.

Nos próximos anos, o desafio passa por conter a emigração, promovendo emprego, habitação e investimento. Patrício afirma a disponibilidade de gente para ficar, mas aponta a falta de casas como entrave à fixação de população.

Descentralização é vista como oportunidade para serviços mais próximos, mas há críticas à transferência de competências sem fundos correspondentes. O Município de Tabuaço encara, assim, a pressão crescente sobre os recursos já limitados.

O que aconteceu

O que ocorreu foi uma trajetória de melhoria de infraestruturas, serviços públicos e oportunidades económicas ao longo de 50 anos, com base na atuação autárquica democrática.

Quem está envolvido

Entre os protagonistas estão José João Patrício (presidente da Câmara), António Lara (ex-presidente da Junta de Longa), Thomas Egger (empreendedor e chefe do Tábua D’Aço) e Paulo Mota (enólogo da Quinta das Herédias).

Quando e onde

A análise remonta a 1976, com foco no concelho de Tabuaço, no Vale do Douro, aumentando a partir de 50 anos de autarquias democráticas.

Porquê

A assinatura central é a avaliação do impacto do poder local na melhoria de serviços básicos, no impulso económico e na atração turística, bem como a perspetiva de futuro com o reforço da relação entre município e comunidades.

Vozes da comunidade

Patrício enfatiza o objetivo de atrair investimento, criar empregos e aumentar a habitação para fixar população. Lara recorda o passado de carências e o crescimento gradual. Egger ressalta a vantagem competitiva da localização. Mota alerta para a dependência turística da viticultura.

Desafios futuros

A fixação de jovens, a construção de habitação e o financiamento de competências descentralizadas aparecem como temas centrais. A visão é de continuidade do desenvolvimento sem sobrecarregar as autarquias com encargos adicionais.

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