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Caso de assassinato de estudantes: Nuno Loureiro mirava vítimas simbólicas da sua queda

FBI afirma que tiroteio na Brown e homicídio do professor Nuno Loureiro não foram aleatórios; o atacante visava símbolos de fracasso pessoal

Imagens de Cláudio Neves Valente captadas por videovigilância
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Em investigação federal, os EUA indicam que Cláudio Neves Valente não atuou de forma aleatória, mirando pessoas e locais com significado pessoal para a sua vida de fracasso e injustiças percebidas. O tiroteio na Universidade Brown ocorreu em dezembro, seguido pela morte do professor Nuno Loureiro do MIT em Brookline, Massachusetts.

Um relatório de avaliação comportamental do FBI descreve Neves Valente como alguém que planeou o ataque isoladamente ao longo de vários anos, sem apoios consistentes de familiares ou colegas. A violência foi descrita como simbólica, direcionada a instituições e indivíduos que ele associava aos seus insucessos.

No dia 13 de dezembro, o atirador matou dois estudantes e feriu nove dentro de um edifício de engenharia da Brown. Dois dias depois, assassinou Loureiro na casa deste, em Brookline. O rapaz foi encontrado morto pouco depois, num armazém em Salem, New Hampshire, encerrando uma busca interestadual.

O relatório aponta que Neves Valente vivia quase em isolamento e desenvolveu uma narrativa de queixas, com pouca oportunidade para que outros interpretassem os seus comportamentos. O FBI acrescenta que a violência permitiu-lhe superar a vergonha e a inveja, punindo comunidades que entendia como responsáveis pela sua queda.

Ainda segundo o FBI, as evidências indicam que a violência teve natureza simbólica, com Brown e Loureiro a representarem fracassos e injustiças que o atirador alegava ter enfrentado. O relatório ressalva que apenas o próprio suspeito conhece a motivação total, não descartando o papel de fatores de stress e saúde mental na explicação.

Após os ataques, Neves Valente gravou vídeos e mensagens de áudio em que confessava os tiroteios, não expressando remorso, e reiterava algumas queixas mencionadas na avaliação, sem claro enquadramento explicativo das ações. As autoridades indicam que os crimes foram realizados por um atacante isolado e sem ligação conhecida a redes terroristas.

Os investigadores também indicaram que Neves Valente frequentou brevemente a Universidade Brown como doutorando no início dos anos 2000, não concluindo o programa, facto que influenciou a percepção que tinha da instituição. As armas utilizadas eram legais, compradas na Flórida anos antes, segundo as autoridades.

Os factos emergem num contexto em que estudantes atingidos entraram com ação judicial, alegando falhas da universidade no cumprimento de avisos sobre o atirador e na implementação de medidas de segurança que poderiam ter evitado a tragédia.

A ligação entre Cláudio Neves Valente e o Brasil de origem é mencionada pela imprensa, com referência ao facto de ter estudado no Instituto Superior Técnico de Lisboa na mesma época em que Nuno Loureiro.

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