A CMTV vai reconstituir, com recurso à Inteligência Artificial, os últimos dias de vida de Carlos Castro, o cronista social morto há quinze anos. A produção utiliza milhares de documentos do caso para recriar cenários e momentos entre Castro e Renato Seabra em Nova Iorque. A emissão está marcada para terça-feira, 5 de maio, integrada num especial sobre o homicídio que abalou o país.
A reconstituição centra-se em imagens e sequências que mostram o casal em passeio pela cidade, em momentos no hotel e em deslocações nos transportes públicos. A abordagem utiliza IA para recriar ambientes e dinâmicas, com base em registos disponíveis pela equipa de produção.
Eduardo Dâmaso, da Medialivre, explica que a ferramenta pretende apresentar uma visão estruturada dos últimos dias, com foco no ambiente que antecedeu o crime. A produção pretende oferecer uma leitura visual do relacionamento entre Castro e Seabra, sem escapar aos factos relatados na investigação.
Rui Pereira, professor universitário e comentador da CMTV, sustenta que a IA pode apoiar a justiça ao analisar cenários de crime e potenciais linhas de investigação. Contudo, reforça que o direito regula inovações apenas à medida que estas se consolidam na prática e na ciência.
Este recurso suscita, ainda, questões sobre os limites legais e éticos do uso de IA em reconstituições de casos sensíveis. Ouvir-se-á, na prática jornalística, um balanço entre transparência, rigor probatório e responsabilidade frente ao público.
Contexto técnico e implicações
A equipa adianta que a reconstituição se apoia em análises do cenário, áudios da investigação e na localização do réu no hospital, entre outros elementos. A produção também poderá discutir, de forma educativa, como a IA pode avançar a compreensão de crimes complexos sem substituir elementos probatórios.
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