O Banco Mundial projeta um aumento de 24% nos preços da energia este ano, devido à guerra no Irão e ao bloqueio do Estreito de Ormuz. O choque deve afetar as cadeias de abastecimento globais, segundo as Perspetivas dos Mercados de Matérias-Primas.
O relatório avança que a energia e os fertilizantes lideram uma subida de 16% nos custos globais de matérias-primas em 2026. A instabilidade regional provocou a maior perturbação de sempre no fornecimento de petróleo, com cortes de produção relevantes.
A volatilidade atual inverteu a tendência de queda observada no último ano, gerando um ambiente de estagflação. Analistas destacam dificuldades para os bancos centrais gerirem as taxas de juro.
Perspetivas do petróleo e impacto no preço
O Estreito de Ormuz continua a afetar o comércio mundial, essencial para o transporte de cerca de 20% do petróleo bruto. OBanco Mundial antecipa que o Brent atinja 86 dólares por barril em 2026, acima de 69 dólares em 2025.
No momento, o WTI supera os 102 dólares e o Brent ultrapassa os 110 dólares, marcando máximos recentes. A conjuntura também influencia o gás natural e o GNL, com repercussões para países que procuram fontes alternativas.
Em resposta à crise, os Emirados Árabes Unidos anunciaram a saída da OPEP e da OPEP+ a 1 de maio, com promessa de aumentar gradualmente a produção. A medida pode aliviar ou agravar os preços, dependendo da coordenação entre produtores.
Efeitos económico-financeiros e perspectivas
O Banco Mundial alerta para que a duração do conflito intensifique a pressão nos preços. Mesmo sob o cenário-base, o choque eleva a volatilidade energética e impactos setores como indústria e emprego.
O FMI já revisou em baixa o crescimento global para 2026, para 3,1%, com inflação global prevista em 4,4%. Se a volatilidade se prolongar, o FMI avisa para um cenário de crescimento mais fraco.
A União Europeia já contabilizou custos adicionais com importações de combustíveis fósseis acima de 27 mil milhões de euros desde o início do conflito. A organização classifica a situação como a maior ameaça à segurança energética.
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