O presidente do Conselho Europeu, António Costa, descreveu nesta terça-feira o estado atual das relações internacionais como uma desordem crescente. A observação foi feita durante uma intervenção na reitoria da Universidade do Minho, em Braga, durante a celebração do 50.º aniversário do curso de Relações Internacionais.
Costa apontou duas tendências centrais: uma violação crescente da ordem baseada em regras desde o pós-guerra e um mundo cada vez mais multipolar, com mais economias emergentes e países de média dimensão a aspirar papéis relevantes. A combinação destes fenómenos molda o principal desafio para a UE.
O líder comunitário reforçou a ideia de que a União Europeia deve responder com os cinco P: Princípios, Paz, Prosperidade, Parcerias e Poder. Analisou o papel da UE perante este contexto e a necessidade de uma atuação coordenada e firme.
Princípios
A UE deve apoiar sem reservas uma ordem internacional fundamentada nas regras, ancorada na Carta das Nações Unidas, na defesa dos direitos humanos e na resolução pacífica de conflitos, mantendo o respeito pela soberania e pelas fronteiras reconhecidas.
Segundo Costa, as Nações Unidas precisam de ser reformadas, mas não substituídas. O bloco defende que a ONU continua a ser a pedra angular do sistema multilateral, com legitimidade universal para sustentar cooperação efetiva.
O líder do Conselho Europeu reiterou o compromisso da UE como principal doador de ajuda internacional e de apoio às agências da ONU, mantendo a liderança da solidariedade global, sobretudo em tempos de constrangimentos financeiros ao sistema.
Paz
Costa vincou que a paz está no ADN da União Europeia, lembrando o apoio a a Ucrânia desde o início da invasão russa, em várias vertentes — política, financeira, diplomática e militar — mantendo esse apoio até alcançar uma paz justa e duradoura.
Foi sublinhada a necessidade de evitar o retorno ao caos que acompanha o não cumprimento de regras, já que esse cenário amplifica conflitos e fragiliza a prosperidade global. O objetivo é manter a cooperação estável e previsível.
Energia e prosperidade
O discurso defendeu uma transição energética que reduza a dependência de combustíveis fósseis, potencie energias renováveis e mantenha a luta contra as alterações climáticas como prioridade. A redução da dependência energética da Rússia já veio a representar um ganho para a autonomia europeia.
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