O Ministério Público pediu a condenação de Vítor Catão e de outro arguido no processo que envolve exploração e imigração ilegal no clube São Pedro da Cova, que disputava as divisões inferiores da Associação de Futebol do Porto. O incidente está ligado à Operação Pretoriano, com alegações de aliciamento de jogadores brasileiros.
Segundo a acusação, a rede de recrutamento terá explorado 11 jovens brasileiros em busca de uma carreira em Portugal. Os jogadores dormiam em beliches sob uma das bancadas do estádio, recebiam salários irregulares e eram incentivados a prosseguir para clubes de maior expressão.
A procuradora afirmou que os arguidos atuaram com dolo ao facilitar a imigração ilegal de pessoas vulneráveis, sem condições para lidar com as despesas diárias. Vítor Catão é apontado como figura central, com antecedentes criminais desde 1999.
A acusação sustenta que a conduta constituiu apoio à imigração ilegal e que as vítimas estavam sob pressão para cumprir as condições impostas. A promotora destacou que Catão já foi condenado noutros processos relacionados ao mesmo universo do futebol.
A defesa de Vítor Catão, apresentada pela advogada Susana Mourão, pediu a absolvição, alegando ausência de provas que demonstrem o papel do arguido. A causídica contestou o enquadramento legal sem evidências diretas.
A advogada argumentou ainda que não houve questionamento suficiente sobre o envolvimento de outra figura ligada ao clube, o anterior presidente Orlando Rocha, já falecido, sugerindo inconsistências no inquérito.
Mesmo assim, a procuradora manteve que as vítimas, em depoimentos, mudaram versões entre o inquérito e o julgamento, o que, segundo ela, não abala a leitura de que houve aliciamento para a carreira internacional no futebol.
A leitura da sentença está marcada para 11 de maio, às 14h. O processo envolve 22 crimes imputados aos dois arguidos, segundo a acusação apresentada no tribunal.
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