O Governo da Austrália avisou, na segunda-feira, que enfrenta o maior choque energético da sua história, em consequência da guerra no Médio Oriente e da dificuldade de trânsito de crude pelo estreito de Ormuz. A avaliação foi partilhada pelo ministro da Indústria e Ciência, Tim Ayres, à ABC, descrevendo a situação como altamente volátil.
Ayres explicou que a volatilidade resulta do ataque de uma embarcação iraniana perto de Ormuz, quando alegadamente tentava contornar o bloqueio imposto aos portos iranianos, em resposta a um disparo de navio da Marinha dos EUA contra a embarcação. Teerão classificou o episódio como violação do cessar-fogo e anunciou retaliações com ataques de drones a navios norte-americanos.
O Irão retomou o controlo rigoroso de Ormuz no fim de semana, um dia depois de anunciar a reabertura do estreito. Paralelamente, os Estados Unidos prosseguem com um bloqueio naval direcionado a Teerão para impedir exportação e importação de mercadorias. Ayres sublinhou que o Governo australiano trabalha para reforçar a segurança do abastecimento de combustível e fertilizantes.
Mercados e impactos
Segundo o ministro, o objetivo é criar uma reserva para proteger a Austrália e os seus cidadãos de um choque energético sem precedentes. Apesar disso, Ayres ressalvou que as flutuações de preços a curto prazo não devem dominar a leitura da crise, que evolui rapidamente.
Os preços do petróleo reagiram de forma abrupta nos mercados asiáticos. O WTI subiu para perto de 90 dólares por barril, com alta de cerca de 7%, enquanto o Brent avançou acima de 95 dólares por barril, com ascensão de mais de 6%. Analistas destacam a apreensão em relação a retaliações iranianas.
Chris Weston, da Pepperstone, salientou que o mais impactante é a notícia da apreensão de um navio iraniano pelas forças norte-americanas no golfo de Omã, seguida de promessas de retaliação por parte do Irão, o que alimenta a incerteza nos mercados.
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