Especialistas alertam que vítimas de assédio enfrentam uma descredibilização permanente, numa leitura que conflita com a presunção de inocência dos alegados. O tema é discutido por pesquisadoras e docentes que veem o fenómeno como expressão de violência. A origem do debate está na forma como se encara o testemunho das vítimas, maioritariamente mulheres.
A centralidade do problema reside na perceção social dominante, que pode desqualificar relatos e culpabilizar quem denuncia. A violência é descrita como estrutural, envolvendo assimetrias de poder que empurram determinados grupos para a posição de vítimas.
Para as especialistas, o assédio não deve ser visto apenas como ato isolado, mas como parte de uma violência mais ampla. A resposta exige separar culpa, prova e denúncia, evitando que a vítima seja tratada como mentirosa.
A descredibilização ocorre quando a narrativa da vítima é desconsiderada ou minimizada em função de estereótipos sobre o comportamento ou o passado. Tal dinâmica mantém uma cultura que dificulta denúncias e perpetua o ciclo de violência.
Segundo uma visão integrada, presumir inocência para o acusado não pode equivaler a duvidar da vítima. A diferença entre as duas noções é essencial para permitir que relatos sejam investigados com rigor, sem desvalorizar quem denuncia.
Outra perspetiva aponta que o poder estrutural favorece os alegados abusadores, que podem reagir com contraprovas, ações judiciais ou retaliação, mantendo o “monopólio da palavra legítima”. A reação institucional é parte do fenómeno observado.
Este enquadramento facilita a compreensão de uma realidade de “dupla vitimização” para quem acusa, reforçada pela estereotipia de género. Mulheres que denunciam podem ser estigmatizadas como perigosas ou insidiosas, o que agrava o custo social da denúncia.
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