Viktor Orbán perdeu as eleições na Hungria, encerrando mais de uma década e meia no poder. A derrota cria um novo cenário político na Europa e afeta diretamente o Vox, que tinha uma relação próxima com o líder húngaro em termos político, ideológico e financeiro. A queda de Orbán representa um revés para uma rede de partidos de direita radical.
Ao longo de anos, Orbán foi visto como expoente da direita ultra-conservadora europeia. O modelo húngaro, centrado no controlo da imigração, na centralização do poder e no soberanismo, influenciou o Vox e outras formações. A derrota insere-se num contexto de envelhecimento da vaga de direita radical, segundo analistas.
O Vox participou em vários encontros em Budapeste e elogiou o modelo húngaro em diversas ocasiões. A relação era vista não apenas como aliança ideológica, mas também como ligação de financiamento e apoio institucional entre os dois campos.
Para o professor de Ciência Política Pablo Simón, Orbán era também um exemplo de governança no seio da UE, sem abandonar formalmente o espaço europeu. A queda do líder húngaro retira ao Vox um caso de sucesso de implementação de agenda no poder, segundo o académico.
O grupo Patriotas pela Europa, do qual o Vox fazia parte, perde um nó central de legitimação com a saída de Orbán. Segundo Simón, Orbán funcionava como ponte entre diversas direitas radicais europeias, mantendo poder institucional.
O financiamento entre Vox e o ambiente húngaro também era relevante. O Vox recebeu empréstimos de um banco ligado a Orbán para campanhas em Espanha, e depois recorreu a novos empréstimos para eleições europeias de 2024, que foram comunicados e reembolsados.
Analistas apontam que a saída de Orbán reforça a necessidade de autonomia organizativa e financeira do Vox, expondo-o a críticas sobre ligações internacionais passadas. Por outro lado, alguns consideram que o impacto económico não é decisivo, dado o peso eleitoral do Vox.
A reorganização da direita europeia deve continuar, com futuros equilíbrios entre lideranças conservadoras. Meloni pode emergir como figura de referência no bloco, enquanto os demais partidos enfrentam um cenário mais incerto sem um líder com poder institucional sólido.
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