O uso de energias renováveis em Portugal Continental atingiu 78,5% da eletricidade no primeiro trimestre de 2026. O dado é divulgado no Boletim Electricidade Renovável da APREN.
No período jan-mar, houve 571 horas não consecutivas em que a produção renovável cobriu o consumo total, equivalentes a cerca de 23 dias completos. A APREN destaca a maturidade do sistema elétrico.
No mercado, o preço médio ficou em 41,9 euros por MWh, posicionando Portugal entre os mais competitivos da UE, num contexto de custos superiores em muitos países europeus.
Contribuição económica e europeia
As renováveis contribuíram para poupar tudo isto: cerca de 239 milhões de euros em importações de gás natural, 324 milhões de euros em eletricidade importada e 166 milhões de euros em licenças de CO2 evitadas no trimestre.
Portugal destacou-se na Europa como o terceiro país com maior incorporação de renováveis, atrás de Noruega e Dinamarca, numa leitura de desempenho ibérico reforçada pela queda de preços.
O presidente da APREN, Pedro Amaral Jorge, afirma que o primeiro trimestre de 2026 evidencia o papel estrutural das renováveis na competitividade do sistema elétrico ibérico, com Portugal e Espanha a registarem preços baixos.
Num contexto geopolítico de volatilidade, a SolarPower Europe aponta que a produção solar na UE já evitou 4,8 mil milhões de euros em importações de gás desde início de 2026, reforçando a importância energética europeia.
Março em detalhe
Em março, 77,2% da eletricidade em Portugal continental veio de fontes renováveis. A hydrulação liderou com 37,1%, a eólica ficou em 25,9%, num mês de condições de inverno e elevada disponibilidade hídrica.
Face a março de 2025, a produção elétrica recuou 7,2%, sobretudo pela menor produção eólica e menor uso de gás natural.
No mês, o sistema elétrico nacional registou 166 horas não consecutivas em que a geração renovável cobriu a totalidade do consumo em Portugal continental, sinalizando robustez crescente.
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