A autora percorre o país rural de norte a sul e descreve um padrão que se repete: aldeias a perder população, escolas sem crianças e casas fechadas ao longo do ano. O património fica em ruína e há campos agrícolas abandonados. A biomassa acumula-se nos milhões de hectares sem uso produtivo, pronta a arder no verão, com seca prolongada, temperaturas acima de 30 °C, ventos fortes e humidade baixa.
Este cenário, segundo a análise apresentada, explica o risco de tragédia para a coesão territorial. A autora defende urgência na fixação de jovens no rural, entre 18 e 40 anos, incluindo empresários rurais, tanto agrícolas como não agrícolas. Sem renovação geracional, permanece o ciclo de abandono e fragilização.
A Política Agrícola Comum (PAC) surge como uma via com impacto real, sobretudo pelos apoios à primeira instalação de jovens agricultores. A recomendação é manter candidaturas abertas, com decisões rápidas e financiamento garantido para as propostas aprovadas.
Preocupam-se os impactos do atual PEPAC, que transforma apoios não reembolsáveis em empréstimos sem juros. Análises económico-financeiras mostram margens reduzidas na maioria das culturas e atividades pecuárias, tornando o serviço da dívida duvidoso para cerca de 80% das atividades.
Para além do setor agrícola, a renovação do mundo rural exige que outros fundos europeus apoiem jovens empresários rurais não agrícolas. São necessários prémios não reembolsáveis à instalação e apoios ao investimento produtivo em serviços, indústria, tecnologia, turismo sustentável e economia criativa.
Medidas para a renovação
As candidaturas à instalação devem ser geridas por uma estrutura de missão, articulada com o IAPMEI, para assegurar maior eficiência. A implementação deverá favorecer empreendedores com horizontes de 15 a 30 anos, adaptando planos à realidade de minifúndios e economia de escala.
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