Europa: fusão nuclear pode atenuar a crise energética
A energia de fusão surge como uma opção a explorar na Europa, prometendo diversificar a matriz energética. A Proxima Fusion, startup alemã, aposta em stellarators para a fusão, uma tecnologia pouco comum no setor.
Desde o início da crise energética global, em fevereiro, a instabilidade ligada ao Irãoacrescentou pressão sobre mercados. A restrição de envios pelo estreito de Ormuz agravou perturbações no abastecimento de petróleo.
A Proxima Fusion, sediada em Munique e criada em 2023 a partir do Instituto Max Planck, foca-se em stellarators em vez de tokamaks. O objetivo é manter plasma estável e em altas temperaturas para gerar energia. O Alpha é o demonstrador, ainda em fabrico, com previsão de funcionamento no início da década de 2030.
Segundo Francesco Sciortino, diretor-executivo e cofundador, o Alpha testará a viabilidade económica da fusão. A empresa trabalha ainda no Stellaris, pensado como a primeira central de fusão comercial mundial, com previsão de entrada em operação na segunda metade dos anos 2030.
A Alemanha aposta no projeto Stellaris em Gudremmingen, antiga central de fissão já desativada. Em 2025, o governo de Friedrich Merz anunciou um plano para apoiar a fusão, com mais de 2 mil milhões de euros até 2029 para avançar a infraestrutura. Sciortino vê a fusão como oportunidade económica para a Europa, citando soberania e falta de recursos naturais.
Alguns especialistas permanecem céticos quanto ao potencial comercial da fusão. Um estudo recente na Nature Energy questiona custos futuros e taxas de aprendizagem, defendendo que benefícios podem ser menores do que se prevê. Lingxi Tang, coautor, aponta viés de optimismo em análises anteriores.
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