Kaja Kallas afirmou, durante uma visita a Kiev na terça-feira, que o futuro uso de ativos russos congelados depende do resultado das eleições na Hungria. Se Viktor Orbán reeleito mantiver o veto ao empréstimo de 90 mil milhões de euros para a Ucrânia, a UE pode recorrer aos ativos russos.
A chefe de política externa da UE explicou que o plano A era utilizar ativos congelados para financiar a Ucrânia. O plano B era o empréstimo neste formato, mas o plano A voltaria se o veto persiste. Kiev acompanha o assunto com atenção.
Andrii Sybiha, ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano, reforçou que os ativos russos não estão fora da agenda até a Rússia cumprir reparações. A mensagem foi acompanhada pela comitiva ucraniana na reunião com Kallas em Kiev.
Impasse em Druzhba e o contexto político
O veto de Orbán ao empréstimo surgiu após litígio com Kiev sobre o oleoduto Druzhba, essencial para o fornecimento de petróleo. O governante húngaro condiciona a retoma do petróleo à liberalização do fornecimento via Druzhba.
A posição de Budapeste criou tensão entre os restantes Estados-membros, que defendem a necessidade de manter o apoio financeiro à Ucrânia. A UE já propôs transformar ativos do Banco Central russo num apoio sem juros para 2026 e 2027.
A Bélgica, principal depositário dos ativos, expressou reservas legais e financeiras, citando riscos à reputação da zona euro. França, Itália, Malta e Bulgária também manifestaram preocupações, alimentando o debate interno.
Taras Kachka indicou que os danos nas infraestruturas energéticas russas são de grande escala e que a inspeção ao Druzhba, solicitada pela UE, depende de procedimentos de segurança. A UE tenta, ainda, uma solução que permita assistência à Ucrânia sem comprometer as regras.
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