O Governo do México anunciou que está em negociações com várias empresas privadas para comprar combustível à Pemex, a empresa petrolífera estatal, com o objetivo de o revender a entidades cubanas para apoiar a ilha. As negociações envolvem múltiplos agentes privados, segundo a presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, em conferência de imprensa.
A notícia surge num contexto de tensões regionais sobre o abastecimento energético de Cuba. No fim de semana, o presidente dos EUA comentou que a chegada de um petroleiro russo a Cuba não tem grande importância diante do cenário de escassez, apesar das sanções norte-americanas. Trump indicou ainda que não se oporia a envios de petróleo por qualquer país, incluindo a Rússia, desde que não prejudique os seus interesses.
O anúncio mexicano vem numa altura em que os EUA suspenderam entregas de petróleo venezuelano a Cuba, após a Venezuela deixar de ser fornecedora principal. Em paralelo, um cargueiro russo, o Anatoly Kolodkin, transportando cerca de 100 mil toneladas de petróleo bruto, aproximou-se de Cuba, com estimativas de descarregar cerca de 730 mil barris no total.
O porta-voz do Kremlin afirmou que a Rússia já tinha discutido com os Estados Unidos o envio de petróleo para Cuba e reiterou a disponibilidade de apoiar o irmão cubano, reforçando a cooperação energética entre os dois países. O destino final desse abastecimento previsto é o porto de Matanzas, recurso estratégico para uma ilha que produz apenas 40% do combustível que necessita.
Entre as ações associadas, a presidente mexicana indicou ter enviado uma ajuda humanitária a Cuba no valor de 20 mil pesos, correspondentes a cerca de 960 euros, integrada numa iniciativa de apoio promovida por um ex-governante mexicano para mitigar a crise na ilha. A doação foi apresentada como uma decisão pessoal, distinta do cargo.
Sheinbaum acrescentou que a cooperação com Cuba, tanto em matéria de combustíveis como de assistência social, deverá manter-se dentro de critérios de soberania nacional e sem afetar os interesses do México. O Governo sublinhou que o envio de combustível pode ocorrer por razões humanitárias ou comerciais, desde que não prejudique o país.
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