O Bloco de Esquerda entregou ao Governo uma carta aberta, subscrita por cerca de 8 500 pessoas, pedindo a proibição de a Base das Lajes ser utilizada pelos EUA para ataques ao Irão. A entrega ocorreu na residência oficial do primeiro-ministro, em Lisboa, na segunda-feira, com a presença do coordenador bloquista, José Manuel Pureza, que esteve à frente da delegação.
Pureza afirmou que o objetivo é que o Governo condene o conflito e actue de forma concreta, prohibindo a utilização da base para fins bélicos. O líder bloquista lembrou o exemplo de Espanha, que fechou o espaço aéreo a voos implicados e recusou a utilização de duas bases pelos EUA.
Drones e posicionamento do Governo
O dirigente referiu que a carta será entregue ao primeiro-ministro Luís Montenegro, através do assessor diplomático, e criticou a posição de eventual cumplicidade materializada na utilização da base. A notícia de chegada de drones MQ-9 Reaper à Base das Lajes também foi mencionada, com a perspetiva de que o uso de aeronaves reforça a participação portuguesa no conflito.
Contexto e histórico recente
O texto recorda que, em 28 de Fevereiro, EUA e Israel iniciaram uma guerra contra o Irão, com impactos em vários países da região. O Governo português concedeu autorização condicionada ao uso da base, apenas em resposta a um ataque, em defesa ou retaliação, com a utilização restrita a alvos militares e necessidade de proporcionalidade.
Situação atual na base
Desde o início do conflito, aviões reabastecedores têm descolado regularmente das Lajes para missões de apoio à aviação norte-americana. O primeiro-ministro já afirmou, em debate parlamentar, que a utilização da base tem cumprido os requisitos da autorização concedida por Portugal. O BE sustenta que a situação configura uma desconformidade entre as regras internacionais e a prática atual.
Entre na conversa da comunidade