Os meios de emergência do INEM, sobretudo as viaturas médicas sediadas em hospitais, são conduzidos por profissionais com formação em condução que poderá não estar atualizada. A denúncia foi feita no Parlamento por António Gandra d’Almeida, ex-diretor executivo do SNS e antigo dirigente da delegação Norte do INEM. Alega que a falta de atualização contribui para desgaste das viaturas e para o aumento de acidentes, defendendo a atualização dos cursos.
Gandra d’Almeida afirmou que grande parte dos motoristas não possui o curso de condução atualizado. A avaliação ocorreu durante a audição na Comissão Parlamentar de Inquérito à situação do INEM, que decorreu nesta semana.
O presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar, Rui Lázaro, explicou ao PÚBLICO que há recertificação para técnicos de ambulância, mas não para as viaturas médicas de emergência e reacção, conduzidas por enfermeiros. A diferença de formação compromete a prática necessária para este tipo de condução.
Contexto: greves e perceção institucional
O INEM não respondeu em tempo útil para esclarecer se os cursos de condução para as VMER requerem atualização. O tema surge após as greves ocorridas em 2024, que provocaram constrangimentos no socorro, e que foram alvo de escrutínio público. Gandra d’Almeida criticou ainda a falta de recursos humanos, a frota envelhecida e as dificuldades logísticas das bases.
Gandra d’Almeida foi questionado sobre a sua atuação quando ocupava a direção técnica do SNS durante as greves. Disse não ter sido contactado pela tutela para discutir impactos nas operações do INEM. A demissão dele, em 2025, também foi abordada, com referência a acumulação de funções autorizada por pareceres oficiais.
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