Mário Monteiro, investigador luso-canadiano, lidera o desenvolvimento de uma vacina inovadora contra a Campylobacter jejuni, bactéria associada a diarreia e complicações graves. O trabalho está a decorrer na Universidade de Guelph, no Canadá, com avanços relevantes ao longo de mais de duas décadas.
O projeto centra-se numa abordagem baseada em açúcares presentes na superfície da bactéria, em contraste com as vacinas que utilizam apenas proteínas. A equipa identificou estruturas de açúcares e transformou-as em componentes capazes de induzir resposta imunitária.
Entre 2022 e 2024, um ensaio de fase 1 decorreu no Centro Médico do Hospital Pediátrico de Cincinnati, nos Estados Unidos, envolvendo cerca de 60 adultos saudáveis. Os resultados indicaram segurança e capacidade de gerar anticorpos.
A Campylobacter jejuni é reconhecida como uma das principais causas de doenças diarreicas a nível mundial, com potenciais complicações graves, incluindo a síndrome de Guillain-Barré. O estudo chama atenção para a relevância da vacinação neste âmbito.
O líder do projeto sublinha que o estudo demonstra interesse global nas vacinas desenvolvidas no laboratório. O objetivo é ampliar a compreensão sobre a eficácia e a segurança da vacina em populações mais diversas em fases seguintes.
O próximo passo é um ensaio de fase 2, que envolve mais participantes e avalia a eficácia na prevenção da infecção. Este estágio requer financiamento adicional e a colaboração de parceiros da indústria.
Mário Monteiro, natural de Lisboa e com carreira internacional em vacinas, já integrou várias comunidades científicas em Canadá e Estados Unidos. Em 2014 foi reconhecido entre as 50 pessoas mais influentes na área das vacinas.
A equipa pretende manter o progresso em cooperação com instituições norte-americanas e continuar a recolher dados para consolidar a plataforma de vacinas centradas em açúcares da superfície bacteriana.
Desenvolvimento em Fase 2
O avanço para a fase seguinte depende de financiamento e de parcerias industriais, que permitam ampliar a amostra e testar a proteção contra a infecção em cenários mais amplos. O objetivo é demonstrar eficácia prática da vacinação.
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