O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, afirmou que a guerra iniciada com ataques dos EUA e de Israel ao Irão é ilegal e classifiou-a como um desastre absoluto. O comentário foi feito numa intervenção no Parlamento de Espanha.
Sánchez comparou o atual conflito com os ataques ao Iraque em 2003, liderados pelos EUA, dizendo que o cenário agora é muito pior. O líder do Governo reiterou o não à guerra desde o início dos ataques ao Irão, em 28 de março, e condenou as ações de Washington e Telavive.
O chefe do Executivo destacou que o Iraque ficou devastado, com mais de 300 mil mortos e cerca de cinco milhões de deslocados, e citou impactos indiretos como crises migratórias na Europa. Afirmou ainda que o Irão é uma potência militar e económica relevante a nível mundial.
Sánchez advertiu que a guerra atual viola a legalidade internacional, desestabiliza o Médio Oriente e pode agravar crises regionais, incluindo a situação em Gaza. Segundo ele, a intervenção poderia beneficiar a Rússia e enfraquecer a Ucrânia, ao pôr em causa sanções.
O líder espanhol sublinhou que Espanha não autorizou o uso de bases no seu território para operações ligadas aos ataques ao Irão, incluindo voos de reabastecimento. Afirmou ter sido uma decisão difícil, tomada em respeito ao acordo bilateral de bases e à soberania nacional.
O governo espanhol pediu aos deputados a aprovação de um plano de resposta ao impacto económico da guerra, já em vigor desde o fim de semana. O pacote prevê redução de IVA em combustíveis, gás e eletricidade, entre outras medidas, com cinco mil milhões de euros mobilizados.
Sánchez concluiu que não é justo que parte da população tenha de suportar as consequências da guerra, que desvia recursos de serviços públicos e habitação. Reiterou o apelo para evitar uma escalada e manter o foco em prioridades sociais.
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