O bloco comunitário está a incentivar o reabastecimento antecipado de gás e a reduzir os objetivos de armazenamento devido à perturbação causada pela escalada envolvendo o Irão. Dan Jørgensen, comissário europeu da Energia, pediu aos Estados-Membros que comecem a injetar gás mais cedo para evitar picos de preços no próximo inverno.
A comunicação, a que a Euronews teve acesso, surge após interrupções no abastecimento ligadas a atrasos nos carregamentos de GNL do Qatar, associadas a ações militares no Médio Oriente. O comissário entende que a segurança de fornecimento no bloco se mantém relativamente protegida, apesar da dependência global de mercados.
A Bélgica, a Itália e a Polónia são apontadas como as mais expostas a eventuais cortes de fornecimento do Qatar, conforme explicou Saad Sherida al-Kaabi, CEO da QatarEnergy, a 19 de março. A empresa já não consegue cumprir integralmente contratos de produção.
Flexibilidade na meta de armazenamento
Jørgensen sublinhou a necessidade de depender menos de mercados externos em momentos de volatilidade de preços. A carta ressalta que os preços sobem quando a procura acompanha a oferta restrita, agravando a pressão sobre o gás na UE.
A Comissão mantém a ideia de que a UE está mais preparada do que em 2022, altura em que a Rússia invadiu a Ucrânia e o abastecimento sofreu choques. O objetivo de armazenar 90% até 1 de novembro pode ser adaptado para 80%, com exceções de 75% ou 70%.
Ainda segundo o documento, a flexibilidade visa reduzir a procura de gás nos períodos de maior tensão de oferta, evitando distorções de mercado. Países podem reabastecer mais tarde ou abaixo do objetivo, conforme condições.
Medidas para mitigar custos de energia
A Comissão Europeia mantém medidas temporárias para conter o aumento das faturas de eletricidade. A responsável Ursula von der Leyen anunciou ações para quatro componentes da fatura energética: fornecimento, impostos, rede e carbono.
A líder comunitária defendeu o uso de licenças de emissão gratuitas até 2034 e a modernização do mecanismo de estabilização do mercado, para suavizar oscilações de preço. O objetivo é reduzir o peso da energia na fatura dos consumidores.
Algumas potências nacionais já anunciaram medidas distintas. Itália e Espanha adotaram pacotes que combinam cortes de impostos com subsídios ou controlo de margens, tentando mitigar o impacto económico. Portugal também avançou com um quadro regulatório mais defensivo.
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