O novo modelo de acesso às urgências regionais de ginecologia e obstetrícia entrou em vigor esta semana. O objetivo é organizar o atendimento, facilitar a triagem clínica e encaminhar para a unidade mais adequada, reduzindo partos fora do hospital e assegurando analgesia adequada. A medida prevê contacto prévio para grávidas que necessitem de atendimento emergente.
Além da triagem, foram criadas redes de urgência regionais em várias zonas do país, com início em Loures. A ideia é racionalizar recursos e evitar deslocações desnecessárias. Grávidas com situações clínicas urgentes deverão ser encaminhadas para a unidade hospitalar mais apropriada, desde o início do atendimento.
A presidente da Sociedade Portuguesa de Obstetrícia e Medicina Materno-Fetal aponta benefícios na prática de contacto prévio, mas reconhece que pode ser vista como burocracia adicional. Em piloto, a medida permitiu analgesia epidural mais rapidamente e reduziu partos em meio extrahospitalar, segundo a especialista.
Sindicatos expressam reservas quanto à agregação das urgências sem reforço de pessoal. Alegam que profissionais não podem ser obrigados a deslocar-se entre hospitais para assegurar as urgências. A opinião é de que é necessária uma estratégia de recurso humano mais robusta.
A advogada Mia Negrão sustenta que o encerramento de urgências pode restringir o acesso a cuidados, criando risco de violência obstétrica. O cenário também aponta para aumento do recurso ao setor privado, onde a taxa de cesarianas tende a ser maior, segundo a crítica.
O professor Rui Nunes destaca a necessidade de um plano estratégico para a saúde materna a longo prazo. Defende avaliação rigorosa do modelo, bem como planeamento de unidades, recursos humanos e rede de referenciação que funcione para 20 anos.
A lei prevê análises semestrais da reorganização das urgências. Do lado público, há a expectativa de definir condições para o atendimento público sem depender de soluções privadas, preservando a equidade e o acesso.
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