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Europa fortalece fósseis, Índia e China investem em renováveis

Europa recua na transição energética, enquanto Índia e China expandem renováveis para mitigar choques de oferta e preços

FOTO DE ARQUIVO - Aerogeradores funcionam junto de uma central solar perto de Weifang, na província de Shandong, no leste da China, a 22 de março de 2024
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A Europa reforçou o uso de fósseis enquanto China e Índia aceleram o investimento em renováveis. Especialistas dizem que quem investiu em energia limpa em 2022 está hoje mais preparado para a crise dos combustíveis. A guerra no Irão expõe a vulnerabilidade de rotas globais. A pressão sobre os preços aumenta e a inflação preocupa economias dependentes de importações.

A escalada do conflito derrubou as exportações de petróleo pelo estreito de Ormuz, uma passagem-chave para o petróleo e o GNL. Os mercados reagiram com subida de preços, refletindo a perturbação de fornecimentos e o receio de interrupções prolongadas.

Ásia continua a ser o principal destino do petróleo, mas a Europa e África também sentem o impacto. Governos tentam reduzir a procura de energia para moderar o consumo e proteger economias com menor capacidade de margem de manobra.

China e Índia apostam no caminho renovável

A China lidera o mundo em energias renováveis, com expansão significativa da solar e da eólica. Mesmo assim, continua dependente de centrais a carvão e é o maior importador de petróleo bruto. A eletrificação parcial da economia reduz a vulnerabilidade a choques de oferta.

A Índia também investe em renováveis, sobretudo solar, porém com ritmo menor e com menos apoio estatal à produção de equipamentos. A crise energética acelerou compras de petróleo russo com desconto e aumento da produção de carvão, embora a solar e a eólica avancem.

A escalada de adopção de renováveis ajuda a amortecer perturbações, mas não elimina a dependência de combustíveis fósseis. Analistas afirmam que não é possível replicar o modelo chinês em todos os países, dada a diferença de recursos e políticas.

Europa e Japão voltam a depender de fósseis

Em 2022, alguns governos europeus tentaram reduzir a dependência, mas muitos passaram a procurar novos fornecedores de fósseis. A Alemanha investiu em terminais de GNL para substituir gás russo, mantendo o ritmo da transição energética.

O Japão, com forte dependência de importações, diversificou fontes de fósseis, em vez de apostar fortemente nas renováveis domésticas. A energia solar e eólica representa cerca de 11% da produção, abaixo de China, mas próximo de Índia.

Entre os especialistas, a visão é que choques energéticos são parte do sistema atual, que ainda depende de combustíveis fósseis. A transição para renováveis continua como resposta de segurança energética de longo prazo.

Desfechos setoriais e efeitos nos países menos desenvolvidos

Povos mais pobres da Ásia e de África enfrentam maiores choques devido à elevadas cotações de gás e petróleo. Países importadores com reservas de divisas limitadas veem inflação e custos de transporte aumentarem.

Alguns países africanos estudam ampliar a segurança energética com renováveis, em contrapartida a outros que consideram novas centrais a gás ou terminais de GNL. A Etiópia avança com políticas de veículos elétricos para reduzir a dependência de fósseis.

No Paquistão e Vietname, a solar ajuda a reduzir importações futuras e protege orçamentos nacionais. Em Bangladesh, cortes de consumo de eletricidade já foram implementados para evitar faltas graves.

Perspectivas e cautelas

Analistas destacam que sem investimento contínuo em renováveis, muitos países permanecem vulneráveis a choques de oferta. A diversificação de fontes energéticas aparece como elemento central para maior resiliência económica global.

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