A Universidade de Aveiro está a desenvolver uma abordagem inovadora no combate ao cancro, com o objetivo de tornar a radioterapia mais eficaz e menos agressiva para tecidos saudáveis. A iniciativa, designada CarboNCT, utiliza nanocápsulas de carbono para transportar isótopos ativos diretamente para as células tumorais.
A novidade passa pela utilização do lítio-6 em vez do tradicional boro-10 na Terapia por Captura de Neutrões. Ao serem atingidas por neutrões, as células cancerígenas liberam energia que pode destruí-las, com um alcance extremamente curto, atuando quase a nível celular. Os investigadores esperam maior eficácia terapêutica e maior precisão.
A equipa envolve a Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e o Laboratório de Energia Nuclear Aplicada (LENA) da Universidade de Pavia, com coordenação de Gil Gonçalves, da UA. As nanocápsulas prometem maior estabilidade, menos toxicidade e monitorização por fluorescência das partículas dentro das células.
As nanocápsulas permitem entregar concentrações elevadas de isótopos ativos, assegurando uma libertação controlada. Resultados preliminares indicam boa biocompatibilidade com células não cancerígenas e acumulação eficiente em células tumorais, reforçando o potencial terapêutico.
A fluorescência natural das nanopartículas pode facilitar o acompanhamento do tratamento, oferecendo uma ferramenta de monitorização. Caso os próximos testes confirmem o potencial, a abordagem poderá evoluir para aplicações clínicas na terapia por neutrões.
O cancro continua a ser uma das principais causas de mortalidade global. Em Portugal, a OCDE reports dados preocupantes sobre incidência em jovens e um aumento projetado de novos casos até 2040, acima da média europeia. O IPO do Porto registra cerca de 10 mil novos diagnósticos por ano.
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