A análise de águas residuais em Lisboa mostra uma queda no consumo de drogas ilícitas entre 2024 e 2025. Destaca-se a diminuição acentuada da MDMA em Lisboa, cidade que já tinha estado entre as dez com maior consumo neste fim de semana.
No Porto confirma-se o padrão de menor consumo de drogas, com um ligeiro aumento da presença de cetamina nas águas residuais. Ainda assim, a cidade mantém indicadores abaixo da média europeia relativamente à cocaína.
Segundo o estudo Wastewater analysis and drugs – a European multi-city study, da SCORE em cooperação com a EUDA, o consumo em Lisboa e no Porto baixou, mas Almada registou subida em várias substâncias. A Margem Sul ultrapassou o Porto no consumo agregado.
A diminuição da MDMA ocorre em 60% das 78 cidades analisadas, entre 23 países da UE e outros territórios. As amostras diárias foram recolhidas numa semana entre março e maio de 2024, com dados comparáveis entre 2024 e 2025.
A investigação aponta que a menor procura por MDMA pode dever-se a mudanças nos padrões de consumo, menor poder de compra ou redução de contextos recreativos. A substituição por cetamina e catinonas tem sido referida nos relatórios.
Nos dados, a cetamina mostra aumento significativo, com explicação assente em maior disponibilidade, menor percepção de risco e efeitos rápidos. Em 2024-2025, a cetamina registou aumento próximo de 41% no conjunto europeu.
Conjuntamente, a cocaína apresentou avanço de quase 22% nas águas residuais reportadas. Bélgica, Espanha e Países Baixos concentram os maiores níveis de deteção. Não foram encontrados níveis relevantes de anfetaminas em Lisboa, Porto e Almada.
Em relação ao cannabis, a droga ilícita mais consumida na Europa, a projeção indica estabilidade com variações menores: 33% das cidades analisadas registaram aumentos, 44% quedas e 22% manteram constantes. O padrão mantém-se semelhante em cidades de Norte e Centro.
A análise envolve amostras diárias, recolhidas entre março e maio de 2024, abrangendo cerca de 72 milhões de habitantes. Os investigadores salientam que as tendências variam consoante disponibilidade, contexto urbano e acessibilidade.
Entre na conversa da comunidade