- A neurocientista Servane Mouton alerta para o uso excessivo de ecrãs e os impactos na saúde, linguagem e relações, defendendo que as crianças não deviam ter contacto com ecrãs antes dos seis anos.
- No livro Ecrãs – Um Desastre Sanitário, defende regulamentação da indústria digital e aponta que crianças e adolescentes são os grupos mais vulneráveis ao desenvolvimento neurológico e social.
- Em Portugal, o Parlamento aprovou restrições para menores; a autora defende proibição até aos 15 anos para redes sociais, e quer modelos alternativos que respeitem a atenção dos utilizadores.
- A autora afirma que as redes sociais populares são ilegais sob o Digital Services Act europeu por utilizarem algoritmos manipuladores, defendendo uma proibição antes dos 15 anos.
- Aponta soluções como regulamentação da economia da atenção, promoção de atividades simples sem ecrãs (leitura, desporto, convívio), e alerta para impactos da atraso na sono, saúde física e mental, incluindo o risco de dependência e sobrecarga cognitiva.
A neurologista Servane Mouton publicou o livro Ecrãs – Um Desastre Sanitário, que alerta para os riscos do uso excessivo de ecrãs e do sedentarismo. A obra defende um modelo alternativo às redes atuais, vistas como manipuladoras. O lançamento coincide com debates sobre restrições a menores.
No livro, Mouton sustenta que crianças e jovens sofrem impactos na saúde e nas relações sociais devido aos ecrãs. Defende que as crianças com menos de seis anos não devem ter contacto com dispositivos digitais, e que os adultos devem acompanhar as atividades digitais dos mais novos.
Contexto e dados
A autora aponta que a presença de dispositivos em carrinhos de bebé, transportes e espaços públicos aumentou o tempo de exposição aos ecrãs. Em França, estudos indicam quase 50% dos menores de 18 anos com risco elevado por falta de atividade física. A saúde mental dos jovens é apontada como área especialmente sensível.
A médica afirma que a responsabilidade não é do utilizador isolado, mas dos setores industriais e das grandes empresas digitais, que promovem a economia da atenção. Para ela, políticas públicas devem limitar estas práticas e incentivar atividades que envolvam interação humana.
Medidas e propostas
Mouton defende a regulamentação do setor e a criação de modelos de redes sociais que respeitem a atenção e a aprendizagem. Propõe ainda educação parental e atividades simples, como leitura ou brincadeiras, para reduzir o tempo em frente aos ecrãs.
A neurologista destaca a importância do período de repouso cerebral e da rede neuronal padrão, necessária para criatividade e memória. O uso constante de ecrãs pode impedir o funcionamento adequado destas vias, segundo a autora.
Perspetivas internacionais
A autora refere iniciativas estrangeiras, como a Austrália e a França que discutem ou já implementam restrições a menores de 15 anos para acesso a redes sociais. Em França, há debates sobre o papel dos smartphones nas escolas e sobre a adolescência sem smartphones.
Mouton cita um relatório de 2024 que recomenda a proibição de redes sociais até aos 15 anos e a permissão apenas de modelos éticos. Segundo ela, as plataformas populares hoje violam a legislação europeia Digital Service Act devido aos algoritmos manipuladores.
Impacto na saúde
Entre os impactos citados, a neurologista menciona défice de sono, obesidade, problemas de visão e dificuldades de aprendizagem. O efeito na saúde mental é destacado como severo, com riscos de ansiedade e depressão, principalmente entre jovens.
Sobre os conteúdos, a especialista afirma que os dispositivos propiciam estímulos visuais intensos, com notificações e pop-ups que sobrecarregam cognitiveamente as crianças. O ritmo acelerado de informação difere do contacto humano direto.
Conclusões públicas e judiciais
A especialista observa que ações judiciais em vários países visam moderar o poder das grandes redes. Ela associa a pressão social e jurídica a um eventual aperfeiçoamento regulatório, ao estilo de resposta a riscos de saúde pública. O tema envolve ainda tecnologia de inteligência artificial e impactos ambientais.
No final, Mouton afirma que ainda é possível mudar hábitos coletivos, investir em alternativas simples e proteger as crianças, sem excluir totalmente as tecnologias. A sugestão é promover um equilíbrio entre educação, saúde e uso responsável.
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