O Irão lançou uma vaga intensa de ataques com mísseis e drones pelo Golfo, sob o controlo do Estreito de Ormuz. As ações ocorreram na manhã de quarta-feira, apenas algumas horas após declarações de Donald Trump de que a intervenção estaria quase terminada. O objetivo parece ter sido alvos na região e na periferia do Golfo.
Jornalistas da Euronews em Doha e Dubai reportam ondas de ataques durante a noite de terça e a manhã de quarta, com drones iranianos próximos de Dubai e vários mísseis interceptados por defesa aérea na região. Dois drones caíram perto do Aeroporto Internacional de Dubai, ferindo quatro pessoas, de acordo com relatos.
O Dubai Media Office indicou que o tráfego aéreo segue a funcionar, a menos que ocorram novas alterações. Jatos dos Emirados Árabes Unidos patrulham o espaço aéreo na tentativa de localizar sistemas de mísseis e drones iranianos. Intervenções repetidas foram registadas ao longo da manhã.
No Qatar, dois ataques com mísseis ocorreram pela manhã, seguidos de uma nova ofensiva perto do meio-dia, segundo a proteção aérea qatari. As autoridades pedem que a população procure abrigo durante o ataque. A defesa aérea qatari intercetou mísseis sobre Doha, indicam os repórteres.
A Arábia Saudita informou ter interceptado seis mísseis iranianos perto da base aérea do Príncipe Sultão, com explosões de intercepção registadas perto de Dammam, junto à fronteira com o Bahrein e o Qatar. O aeroporto da região mantém operações estáveis, conforme Flightradar24.
Simultaneamente, a Guarda Nacional do Kuwait declarou ter abatido oito drones. O Bahrein acionou sirenes de alerta, e Omã informou a neutralização de dois drones iranianos no mar, ao norte do porto de Al Duqm.
IRGC e retórica de escalada
O IRGC anunciou ter iniciado a sua operação mais intensa desde o início do conflito, afirmando que a guerra só termina quando a sombra da guerra for removida do país. O ataque noturno compreendeu mísseis, incluindo o Khorramshahr, direcionados a Israel e a infraestruturas norte-americanas na região, segundo a TV iraniana IRIB.
Trump, em declarações a meia-noite, afirmou que os EUA destruíram navios inativos que lançavam minas e alegou que o Irão já não tem capacidade de luta equivalente. O Comando Central dos EUA divulgou imagens alegando destruir navios iranianos perto do Estreito de Ormuz, com foco em minas.
O Estreito de Ormuz continua sob pressão, com o Reino Unido e a Tailândia a relatarem incidentes de ataques a navios na região. Testemunhas indicam que alguns cargueiros atravessam a via marítima com o AIS desligado, dificultando o rastreio.
O Irão não reivindicou de imediato todos os ataques, mas mantém o foco em navios próximos ao estreito e nos seus arredores. O território iraniano declarou que não permitirá interrupções de abastecimento aos seus inimigos, aprofundando a tensão regional.
Crise marítima em curso
Paralelamente, o Ministério da Marinha tailandês informou buscas por três tripulantes desaparecidos após o ataque ao cargueiro Mayuree Naree, incendiado a norte de Omã, com o UKMTO a reportar o incidente. O incidente reforça o impacto da crise no tráfego marítimo regional.
A AP relata que alguns navios continuam a navegar com o AIS desligado, prática comum em situações de tensão. Segundo a Neptune P2P Group, sete navios passaram pelo Estreito desde 8 de março, com cinco ligados a entidades associadas ao Irão.
A escalada envolve também Israel, que anunciou nova vaga de ataques a Teerão e a infraestruturas do Hezbollah em Beirute, ampliando o contorno de confrontos na região. O balanço de vítimas, segundo autoridades oficiais, inclui mais de 1.230 mortos no Irão, 480 no Líbano e 12 em Israel.
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