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CIG alerta para falta de paridade no sector do desporto

Desporto em Portugal permanece altamente masculinizado, com 100% de presidências masculinas e sub-representação feminina em liderança, segundo a CIG

Cimeira de Presidentes de Federações Desportivas, realizada pela Confederação do Desporto de Portugal (CDP), esta quarta-feira, dia 24 de setembro de 2025
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A Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (CIG) alerta para uma profunda desigualdade de género nas estruturas de liderança e decisão no desporto em Portugal. A análise, apresentada no Boletim Estatístico 2025, aponta para uma presença feminina muito reduzida nos cargos de presidência e direção executiva dos principais organismos desportivos e governamentais.

Segundo o relatório, o setor desportivo português é altamente masculinizado e apresenta níveis críticos de ausência de mulheres nas presidências das federações desportivas, comissões nacionais e ministérios ou corpos políticos ligados ao desporto. A comparação com a média europeia revela que, apesar de desequilibrada, a UE apresenta sinais de progressos.

A CIG analisou 10 federações nacionais de 2024 e verificou que 100% dos cargos de presidência são ocupados por homens. Existem exemplos de federações lideradas por mulheres fora desse grupo, como Dança Desportiva, Petanca e Lohan Tao Kempo, mas tratam-se de exceções.

Na UE27, a média aponta que uma mulher é presidente de uma federação desportiva em 12% dos casos. Em Portugal, a disparidade persiste, com resultados ligeiramente melhores nos cargos de vice-presidente ou nos executivos, contudo a presença feminina continua baixa e abaixo da média europeia.

Entre os vice-presidentes das federações, dos 39 cargos existentes apenas oito são ocupados por mulheres (21%). Nos membros do executivo, a divisão é de 23% mulheres (22) contra 72 homens. Contudo, há paridade nos cargos de responsável do executivo, com 50% de mulheres, valor acima da média da UE27 (27%).

Relativamente aos Comités Olímpicos Nacionais (CON), também de 2024, a CIG verifica persistente desigualdade de género. Não há mulheres a exercer os cargos de presidente nem entre os responsáveis pelo executivo. Mesmo em vice-presidências e cargos executivos, a presença feminina continua abaixo da igualdade.

A análise dos ministérios nacionais responsáveis pelo desporto indica uma distribuição claramente desequilibrada. Enquanto a UE27 regista equilíbrio próximo entre homens e mulheres em cargos de administrador sénior, em Portugal não há nenhuma pessoa neste nível de responsabilidade. Nos cargos de membro de Governo ou executivo político na área do desporto, Portugal apresenta 100% de homens, embora a média UE27 também seja majoritariamente masculina.

No atual governo português, a pasta da Cultura, Juventude e Desporto está sob liderança de uma mulher, Margarida Balseiro Lopes. A CIG, no entanto, ressalva que o setor continua a ser fortemente masculinizado, com desigualdade expressiva nas estruturas de liderança e decisão.

A comissão observa ainda que o emprego no desporto tem vindo a crescer, mas o progresso não se reflecte de forma suficiente na igualdade de género, mantendo-se uma disparidade destacada entre homens e mulheres em cargos de decisão.

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