- Doente oncológica em fase terminal foi fotografada deitada no chão do Serviço de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra, gerando indignação pública.
- Família afirma que houve falha do SNS: Saúde 24 não respondeu, 112 informou envio de ambulância indisponível, e a paciente foi para o hospital de carro próprio, ficando no banco traseiro por dores.
- ULS de Coimbra nega a versão de ficar no chão por falta de macas, dizendo que a paciente entrou sentada, com cadeira de rodas, acompanhada por dois familiares, conforme registado pela equipa de segurança.
- Mesmo assim, admite que um familiar colocou uma manta no chão e deitou a doente por breve momento para fotografar, momento que foi interrompido pela intervenção da equipa de enfermagem; a paciente recebeu tratamento e alta no mesmo dia.
- A ULS abriu um processo interno para averiguar os factos, num caso que reacende o debate sobre pressão nas urgências, recursos disponíveis e dignidade no atendimento a doentes em estado crítico.
O caso de uma doente oncológica em fase terminal fotografada deitada no chão do Serviço de Urgência dos Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC) gerou indignação e dividiu opiniões entre familiares e a Unidade Local de Saúde (ULS) de Coimbra. A mulher, de 59 anos, sofre de carcinoma generalizado e depende de dispositivos clínicos, com dores intensas.
Segundo a família, na quinta-feira o estado da doente agravou-se. Foram feitas tentativas para obter socorro via linha Saúde 24 e 112, sem sucesso inicial. Cerca de vinte minutos depois, foi assegurado o envio de ambulância, mas mais tarde a família ficou sem assistência disponível, de acordo com o relato.
Pelo que é relatado, a doente foi transportada para o hospital em viatura própria, depois de mais de uma hora de espera, porque não havia outra alternativa. Ao chegar às urgências, não haveria macas disponíveis e uma cadeira de rodas foi apresentada, mas não foi possível utilizá-la devido à dor intensa.
O familiar que acompanhava a paciente acabou por a deitar no chão da área das urgências, envolta numa manta, por não suportar a dor. A imagem foi partilhada nas redes sociais, provocando críticas à resposta do Serviço Nacional de Saúde.
Versão da ULS de Coimbra
A ULS de Coimbra nega que a doente tenha permanecido no chão por falta de macas. Em comunicado, a instituição afirma que um enfermeiro de pré-triagem foi abordado por um familiar com pedido de maca, mas o estado da paciente permitiu que se sentasse com orientação.
A ULS assegura que foi disponibilizada cadeira de rodas com o apoio de um segurança e que a utente entrou no Serviço de Urgência sentada, acompanhada por dois familiares, conforme registo de segurança. Contudo, admite que um familiar regressou ao veículo para buscar uma manta e deitar a doente no chão para fotografar.
Segundo o hospital, um bombeiro alertou a equipa de enfermagem, que interveio de imediato e realizou a triagem clínica. A instituição afirma ainda que não permitiu que qualquer utente permanecesse no chão por indisponibilidade de meios.
Adoção de tratamento imediato incluíu administração de soro, analgesia com morfina e exames complementares. A doente recebeu alta no mesmo dia, mas voltou a precisar de cuidados e permanece internada.
Reação institucional e desdobramentos
A ULS abriu, ainda durante o fim de semana, um processo interno para averiguar os factos. O caso reacende o debate público sobre a pressão nas urgências, a disponibilidade de meios e a dignidade no atendimento a pessoas em estado crítico.
A família defende a gravidade da situação e a necessidade de investigações independentes. A instituição, por seu lado, reitera que não houve falha de gestão estrutural e que a segurança e o atendimento foram assegurados.
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