- A Bélgica enfrenta pressão dos cartéis de droga, com Antuérpia a tornar-se no principal ponto de entrada de cocaína na União Europeia.
- Em outubro, uma carta anónima de um juiz de Antuérpia alertou para o risco de o país se tornar num narco-estado; o tema é agora reiterado por Bart Willocx, presidente do tribunal de recurso da cidade.
- Willocx diz que o dinheiro envolvido na lavagem de dinheiro e corrupção é tão grande que representa um perigo para a estabilidade social, enquanto a violência ligada ao tráfico se espalha pelo país.
- Casos citados incluem o pagamento de 250 mil euros a um trabalhador portuário para mover um único contentor com droga, além de relatos de crianças de 13 anos recrutadas para entrar no porto; há ainda usos de explosivos como retaliação.
- O sistema de justiça enfrenta pressão, com juízes sob proteção policial e medidas de segurança reforçadas nos tribunais; mais de 70% da cocaína chega à Europa via Antuérpia ou Roterdão, e, em 2025, foram apreendidas 55 toneladas no porto belga.
Bélgica vê acentuar-se o poder dos cartéis de droga, com Antuérpia a emergir como principal porta de entrada de cocaína na Europa. O país enfrenta aumento da violência associada ao tráfico.
Um juiz de Antuérpia revelou, em outubro, que o território corre risco de se tornar num narco-estado. Bart Willocx, presidente do tribunal de recurso, confirmou a gravidade do fenómeno ao The Guardian.
A pressão chega ao sistema de Justiça. Willocx afirma que o dinheiro envolvido para corromper pessoas coloca em risco a estabilidade social. O alerta chega num contexto de ampliação da violência.
A droga vinda da América do Sul amplifica a criminalidade não só em Antuérpia, mas no conjunto do país. Em Bruxelas, distritos como Molenbeek e Anderlecht destacam-se pela criminalidade organizada.
Entre os casos citados está o pagamento de 250 mil euros a um trabalhador portuário para movimentar um contentor com droga, segundo Willocx e Guid Vermeiren, procurador-geral para Antuérpia e Limburg.
Quem coopera com os cartéis pode sofrer retaliações pessoais ou contra a família, com uso de engenhos explosivos. Há relatos de menores, de 13 anos, recrutados para infiltrar-se no porto.
Pressão sob a Justiça
Em março do ano passado, foi desmantelado um plano para roubar mais de 1500 toneladas de cocaína apreendidas num armazém alfandegário. A carta de outubro reforça a ideia de uma força paralela que desafia polícia e poder judicial.
Desde maio de 2023, juízes belgas soma medidas de reforço de segurança nos tribunais, incluindo detetores de metais e máquinas de raio-X, além de ajustes salariais para agentes da Justiça.
A pressão afeta o funcionamento dos tribunais, com possibilidade de recusas de julgar ou investigar casos relacionados com o tráfico, segundo os responsáveis.
O cenário de violência leva magistrados a viver com proteção policial permanente, com mudança de residência e maior isolamento familiar, descrevem especialistas.
Mais de 70% da cocaína que entra na Europa utiliza o Porto de Antuérpia ou o de Roterdão. Os Países Baixos também registam rutura com o tráfico através de portos menores, segundo investigações de cooperação entre países.
Dados e perspetivas
Desde 2021, intercâmbio de chamadas encriptadas resultou em 1206 detenções e quase 5000 suspeitos identificados, em ações conjugadas na Bélgica, nos Países Baixos e na França.
Em 2025, o Porto de Antuérpia registou a apreensão de 55 toneladas de cocaína, indicador da dimensão do fluxo ilícito que atravessa o território. As autoridades continuam a reforçar recursos de segurança.
Entre na conversa da comunidade