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Tradições de Natal portuguesas: as superstições mais castiças

Tradições natalícias portuguesas, de presépios a festas populares, revelam rituais históricos e superstições que moldam a memória festiva

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Uma das tradições mais castiças do Natal português: as superstições
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  • O Natal português é fortemente influenciado pelos franciscanos, centrando-se na natividade e no presépio, inspirado pela primeira recriação em Greccio, em 1223.
  • Destacam-se tradições como as calhandras (adoração dos pastores), novenas do Parto (Madeira) e autos pastoris que vão do Minho ao Algarve, com músicas e danças.
  • A Missa do Galo e a armação do presépio, muitas vezes com figuras de Machado de Castro, são elementos marcantes; em algumas regiões também existe a Missa de Alva.
  • O Madeiro de Natal, aceso após a Missa do Galo, é uma tradição de Trás-os-Montes ao Alto Alentejo, com convívio à volta da fogueira até ao Dia de Reis.
  • Entre o Natal e os Reis, surgem lendas e costumes como a Festa de Santo Estevão, os Caretos e as várias tradições ligadas a sombras, lobisomens e outras superstições que moldam o imaginário festivo.

Ao revisar as tradições natalícias em Portugal, o texto analisa como as superstições acompanham o Natal desde há séculos, cruzando influências religiosas, populares e regionais. O foco recai na riqueza do imaginário festivo sem apresentar novidades factuais recentes.

A tradição é apresentada como expressão de uma identidade marcada pela herança franciscana, pela natividade e pelo presépio. Discute-se o papel de S. Francisco de Assis, que em 1223 inspirou a primeira reconstituição do presépio em Greccio.

A narrativa percorre exemplos literários e etnográficos, desde Gil Vicente até referências regionais, destacando o Auto e as loas que acompanham as festas. Observa-se a prática de ter o presépio como peça central, com a decoração vegetal típica.

Em várias regiões, descrevem-se costumes como as missas do parto na Madeira, as nove madrugadas de adoração e as festividades de pastores, com foco na devoção mariana e na alegria comunitária. A queima do Madeiro de Natal é mencionada como ritual ligado ao solstício.

A obra etnográfica de Adolfo Coelho é citada para explicar lendas locais sobre lobisomens e outros espíritos, bem como a presença de Deus-te-livre em cantigas populares. Estas narrativas refletem o entrelaçar de fé, medo e fé popular.

Entre as tradições, destaca-se o uso contínuo de figurinhas no presépio, com a preservação de símbolos tradicionais, como o Menino Jesus e o cenário de Belém. O texto observa ainda a evolução da decoração, incluindo a árvore de Natal, introduzida no Porto em 1865.

Outras práticas mencionadas incluem rituais de partilha, jogos com pinhas e a distribuição de pinhões, bem como superstições associadas a tempestades e trovões. Estas tradições revelam uma continuidade entre o rural, o litúrgico e o lúdico.

Conclui-se que o conjunto de rituais, crenças e costumes permanece enraizado no imaginário português, mantendo-se vivo pela memória coletiva e pelo convívio intergeracional, entre o sagrado e o popular.

Feliz Natal.

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