- Um estudo da Governance.AI conclui que pelo menos 11% das versões de grandes modelos de linguagem (LLM) lançadas entre 2018 e 2026 foram adiadas ou não chegaram à União Europeia, face aos Estados Unidos.
- Dos 68 casos de atraso identificados, 56 foram causados por fatores regulatórios, principalmente as regras de proteção de dados.
- O atraso do Claude 3 Opus na UE chegou a 71 dias; a Meta teve a maior taxa de atrasos e não lançamentos, com 26% das suas versões adiada na UE e 15% no Reino Unido.
- As regras de proteção de dados, nomeadamente o Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), são a principal barreira, com maiores obstáculos nas modalidades não textuais (imagens, áudio, vídeo).
- O Digital Omnibus e revisões a direitos de autor estão a considerar melhorar a adaptação regulatória para IA; os autores alertam para o risco de atrasos no acesso a modelos avançados caso as regras se mantenham rígidas.
A União Europeia é apontada como principal fator de atraso no lançamento de modelos de linguagem de grande escala (LLM). Um estudo recente analisa 375 modelos lançados entre junho de 2018 e maio de 2026, comparando EUA, UE e Reino Unido. Os resultados indicam que 11% dos lançamentos não chegam à UE, ou são adiados face aos EUA.
O relatório, da Governance.AI, foca nas ações de empresas como Meta, Google, OpenAI e Anthropic. Em média, 11% dos modelos sofreram atraso ou não foram disponibilizados na UE, contra 7% no Reino Unido. Dos 68 casos de atraso, 56 tiveram a regulação como causa principal.
Entre os exemplos, houve atraso de 71 dias no lançamento da aplicação Claude 3 Opus na UE. A Meta registou a maior taxa de atrasos, com 26% das versões adiadas ou não lançadas na UE e 15% no Reino Unido.
Limitações da proteção de dados
O estudo destaca a regulamentação de proteção de dados como principal entrave, com maiores obstáculos para modalidades não textuais (imagens, áudio e vídeo em tempo real) do que para o texto. A DMA entrou em vigor em 2023 e a AI Act, em 2024, mas os impactos ainda se devem tornar mais evidentes nos próximos anos.
O relatório compara UE e Reino Unido, observando que, apesar de leis semelhantes (RGPD), a UE tem aplicação mais rígida e menor clareza sobre formação e uso de LLM. O Digital Omnibus, visando adaptar regras à IA, está a ser analisado pelo Parlamento Europeu.
Os autores atribuem a maior rigidez europeia a obstáculos à inovação. O estudo aponta que revisões em direitos de autor na UE também influenciam o cenário. O objetivo é evitar impactos na proteção de autores, mas pode dificultar o acesso a modelos avançados.
John Lidiard, investigador da GovAI, afirma que é essencial que decisores reconheçam o risco de atrasos no acesso a modelos de IA. O relatório conclui que o RGPD contribuiu para adiar ou impedir lançamentos na UE e no Reino Unido, quando se trata de IA avançada.
Este artigo foi originalmente publicado em EU Tech Loop e partilhado na Euronews no âmbito de um acordo de divulgação. Credita fontes públicas sem divulgar contactos de outros portais.
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