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Empresas lideram a eletrificação automóvel, mas a infraestrutura trava o futuro

Empresas impulsionam electrificação em Portugal, mas insuficiência de infra-estrutura pública e regulação dificultam expansão das frotas

Ricardo Silva, director comercial, marketing e comunicações da Ayvens
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  • Em 2025, os veículos elétrificados atingiram 23,2% de quota entre os BEV em Portugal, com uma progressão de 17% face a 2024, num cenário de crescimento europeu semelhante.
  • As empresas puxam o ritmo da electrificação, beneficiando de deduções fiscais que tornam o elétrico competitivo face a carros a combustão. Os particulares enfrentam custo inicial mais elevado, o que explica a maior procura pelo mercado de usados.
  • O renting lidera a penetração de veículos elétrificados em Portugal, com o sector a adotar soluções que incluem rede de carregamento e aconselhamento; em 2025, o crescimento de BEV no renting abrandou.
  • A rede de carregamento é insuficiente: há cerca de 24 veículos por carregador público, o que contrasta com o mapa de frotas e com a necessidade de infra-estrutura para apoiar o rápido crescimento. Estima-se que metade da população não possa carregar em casa.
  • A regulação recente facilita o carregamento público, mas retira benefícios à infraestrutura privada (por exemplo, separação de consumos entre uso particular e empresarial), o que é visto como um retrocesso, embora haja perspetivas positivas quanto à autonomia e aos custos de carregamento a longo prazo.

Portugal acelera na electrificação automóvel, impulsionada pelo peso das empresas e por benefícios fiscais, mas enfrenta desafios súbitos na infraestrutura e na regulação que freiam as frotas privadas.

O Estudo Mobilidade 2026 da Ayvens mostra que 81% dos custos totais de utilização (TCO) das frotas são favoráveis às motorizações electrificadas. Em passageiros, 91% dos perfis com menor TCO são elétricos, com BEV como solução mais competitiva para 30.000 km/ano.

Em 2025, os BEV tiveram 23,2% de quota de mercado em Portugal, subindo 17% face a 2024. Cerca de 40% da oferta de veículos de passageiros é eléctrica, enquanto o diesel recuou 36% desde 2020.

As empresas detêm uma vantagem fiscal que torna o eléctrico competitivo, mesmo frente a modelos a gasóleo mais baratos. Os particulares enfrentam o custo inicial e dependem de incentivos que não cobrem plenamente essa diferença.

O renting lidera a electrificação em Portugal: é comum ver veículos elétricos a caminho de utilização corporativa, com serviços que incluem infra‑estrutura de carregamento e aconselhamento. Em 2025, o crescimento do BEV no renting desacelerou devido a modelos de segmento B mais acessíveis, previstos para 2026.

A infraestrutura de carregamento continua a ser a maior objeção. Portugal tem cerca de 24 veículos por carregador público, o dobro da média europeia. Estima-se que metade da população não possa carregar em casa por falta de condições.

Infra-estrutura

O mercado recorre à descentralização de carregamento, com empresas a instalar carregadores nas habitações dos colaboradores para segregar consumos profissionais e domésticos. A nova regulação facilita o público, mas prejudica o carregamento privado.

O setor procura soluções alternativas, ainda sem uma resposta clara para segregar consumo entre uso particular e empresarial. A evolução da autonomia e a redução de custos persistem como fatores positivos, desde que a rede de carregamento acompanhe.

No segmento de comerciais ligeiros, a vantagem fiscal existente para passageiros não se aplica, limitando a electrificação a entregas de última milha e a grandes empresas com metas de emissões. A adoção permanece mais contida.

Globalmente, Portugal copre o segundo grupo de países na adopção de eléctricos na UE, com performance acima da média europeia. O aumento do preço dos combustíveis e a normalização dos prazos de entrega ajudam a mover a aceitação, embora persista a necessidade de uma rede mais robusta.

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