- Publicações nas redes sociais anunciam cursos online para maiores de quarenta/45 anos usando nomes de universidades portuguesas, com certificado ao concluir o curso e, em alguns casos, propinas pagas pelo Estado.
- As instituições visadas incluem Universidade de Lisboa, Universidade do Algarve, Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra, Universidade do Minho, Universidade Católica Portuguesa e Universidade Nova de Lisboa, que confirmam tratar-se de conteúdo falso.
- A origem do conteúdo envolve falsas identidades e imagens descontextualizadas; o fenómeno foi identificado pela primeira vez no TikTok a partir de 27 de agosto de 2025, pela página Enerjournal, com ligações a um site de destino.
- Outros sinais de alerta incluem erros ortográficos, perfis com moradas nos Estados Unidos e gestão por entidades de outros países, além de propagação em várias redes sociais.
- As universidades recomendam verificar os canais oficiais para confirmar a oferta formativa e denunciam publicações enganosas que utilizam os seus nomes.
Nos últimos meses têm circulado nas redes sociais anúncios de cursos online para maiores de 40 anos, apresentados como oferecidos por universidades portuguesas. A mensagem promete certificado à conclusão, em alguns casos, e pode incluir a ideia de propinas pagas pelo Estado ou cursos gratuitos.
As publicações usam identidades falsas ao associar-se a instituições de ensino superior portuguesas, para conferir credibilidade. Imagens descontextualizadas de alunos e edifícios universitários acompanham os vídeos, mas os nomes mencionados não correspondem aos conteúdos.
Fontes ouvidas pelo PÚBLICO identificaram pelo menos sete instituições visadas: Universidade de Lisboa, Universidade do Algarve, Universidade de Aveiro, Universidade de Coimbra, Universidade do Minho, Universidade Católica Portuguesa e Universidade Nova de Lisboa. Em vários casos, as instituições recusaram qualquer relação com os anúncios.
Quando surgiram
A circulação começou a ganhar forma com publicações em várias redes sociais. A mais antiga identificada pelo PÚBLICO está no TikTok, de uma página chamada Enerjournal, em agosto de 2025. Uma página de destino associada não está mais disponível.
A Universidade Nova de Lisboa já tinha emitido, em julho de 2025, um alerta público sobre anúncios enganosos que promovem cursos online gratuitos ou licenciaturas financiadas pela instituição para faixas etárias entre 45 e 65 anos. Depois, surgiram perfis com nomes em inglês a partilhar conteúdos semelhantes.
Também se verificaram ações semelhantes noutras jurisdições. A Universidade de Bolonha, em Itália, publicou um esclarecimento a 26 de agosto de 2025, dizendo não ter qualquer ligação com anúncios engañosos que alegavam ofertar cursos oficiais para maiores de 45 anos com custos cobertos pelo Estado. Um caso semelhante foi identificado envolvendo a Universidade de Freiburgo, na Alemanha.
Desmentidos e verificação
O PÚBLICO contactou as instituições portuguesas visadas para confirmar a situação. A Universidade de Lisboa afirmou que não promove nem oferece os cursos online mencionados e que não faz publicidade formativa fora das suas plataformas oficiais. A Universidade de Aveiro também garantiu que o anúncio é falso e que têm surgido conteúdos semelhantes.
A Universidade do Minho classificou os anúncios como uso indevido do nome institucional, acrescentando que o conteúdo é falso. A Universidade do Algarve esclareceu não possuir qualquer relação com a oferta descrita. A Universidade Católica Portuguesa comunicou que a informação é falsa e que nenhum curso deste tipo é oferecido pelas suas unidades.
A Universidade de Coimbra indicou que a publicação que usa o seu nome é falsa e não corresponde à sua oferta formativa. A Nova de Lisboa já tinha emitido alerta semelhante. Diversas instituições anunciaram a intenção de denunciar estas publicações falsas.
Como verificar
Para confirmar a veracidade de anúncios deste tipo, recomenda-se consultar os canais oficiais das instituições. Caracterizam-se indícios de fraude por erros ortográficos, como palavras trocadas, e por perfis com moradas fora de Portugal ou geridos por responsáveis em outros países. Descrições de perfis ilustram funções genéricas, como publicidade ou saúde, que não correspondem à gestão institucional.
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