- No Dia da Internet, a presidente do .PT, Luísa Ribeiro Lopes, analisa os riscos de fragmentação da rede e a importância da literacia digital para a coesão social e para as pequenas empresas.
- Portugal já registou mais de dois milhões de domínios com a extensão .pt, demonstrando dinamismo do ecossistema digital nacional.
- A literacia digital continua a ser uma prioridade, com lacunas significativas entre idosos, zonas rurais e pessoas com menos habilitações, o que aumenta a vulnerabilidade a fraudes e desinformação.
- O .pt afirma ser um selo de confiança para internacionalização: oferece governança, proteção de dados e uma identidade corporativa ligada a Portugal, distinguindo-se de domínios genéricos como .com.
- Para elevar a maturidade digital, o DNS.PT promove o Roteiro Domínio Digital, a plataforma Ponto Digital e programos como Sitestar.pt e Apps for Good, além de assegurar segurança com validação de dados, centro de operações de segurança (PTSOC) e cooperação com autoridades para bloquear domínios maliciosos.
O Dia da Internet é servido como termo de reflexão sobre o impacto da rede global no quotidiano, na sociedade e na economia. Luísa Ribeiro Lopes, presidente do .PT, analisa o caminho de Portugal na web, os riscos de fragmentação e os desafios para cidadania digital e para as empresas. O debate ocorre numa altura em que o país ultrapassou dois milhões de endereços registados no domínio nacional.
A dirigente afirma que a internet evoluiu de um espaço académico para uma infraestrutura crítica. Hoje, a prioridade está na segurança e na confiança, assegurando registos estáveis num ecossistema que precisa de regulação e de participação cívica para evitar desigualdades e desinformação.
Olhando para o passado, o primeiro domínio .pt foi criado em 1991, numa era de acesso restrito. A presidente do .PT nota que a modernização trouxe ampliações relevantes, com foco na manutenção e na segurança de endereços, para além da simples expansão de registos.
Percurso histórico e desafios de democratizar a informação
Diz ser impossível ignorar a frustração de ver a tecnologia acelerar sem o ritmo da regulação social. Disse que a democracia digital precisa de enquadramento ético para não favorecer desigualdades ou desinformação. A visão é de advocacia por uma tecnologia com propósito humanista.
A aposta europeia é clara: a soberania digital deve acompanhar o desenvolvimento tecnológico, mantendo dados pessoais protegidos e evitando o controlo exclusivo por plataformas externas. A dirigente defende uma internet aberta, mas sob regras que preservem valores democráticos.
A fragilidade da literacia digital em parte da população é apontada como combustível para fraudes. Embora jovens se destaquem pela aptidão, grupos etários mais velhos, rurais e menos escolarizados ficam atrasados. A controlo de conteúdos e a leitura crítica são prioridades.
Literacia digital, empresas e intervenção pública
Não é uma causa perdida, diz. O ritmo do digital exige formação constante e políticas públicas eficazes para acompanhar o avanço da inteligência artificial. A prioridade é garantir que a transição beneficia toda a sociedade, não apenas quem já está conectado.
O papel do DNS.PT expande-se para além da infraestrutura: a associação investe em programas de capacitação para escolas, jovens e adultos. O objetivo é facilitar a criação de projetos com identidade e segurança digitais, promovendo inclusão.
O acesso limitado à literacia digital é reconhecido como entrave às PME. O protocolo com o IAPMEI visa acelerar a digitalização de empresas, com ações no território para adaptar capacidades às realidades locais. O foco é prático e próximo do tecido empresarial.
Programas e plataformas de promoção da transformação digital
Entre as iniciativas estão o Roteiro Domínio Digital e a plataforma Ponto Digital, criada para disponibilizar recursos e cursos a nível nacional. Existem opções gratuitas e pagas, com foco na transformação digital de pessoas e empresas.
O DNS.PT destaca que o crescimento de domínios .pt demonstra maturidade digital do tecido económico. A extensão é vista como sinal de proximidade ao mercado nacional e de segurança jurídica para negócios internacionais.
Vantagens do .pt e mecanismos de proteção
O .pt é visto como selo de confiança para exportação ou visibilidade global. O domínio comunica ligação a Portugal, obriga ao cumprimento de leis da UE e facilita a verificação de identidade de titulares.
A segurança é garantida por três camadas: validação de dados no registo, um Centro de Operações de Segurança (PTSOC) e cooperação com autoridades para bloqueio ou remoção de domínios usados para fraude.
Observação final sobre o caminho a seguir
A presidente do .PT reforça a necessidade de manter a internet fiel à matriz original: espaço de partilha global, com regulação que proteja direitos e liberdades. O papel social da entidade passa também pela educação cívica digital.
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