- O artista Kyle McDonald criou um Sistema de Alerta Precoce para o Apocalipse que usa dados públicos de jactos privados para monitorizar voos de multimilionários.
- Se muitos jactos deixarem de forma repentina os centros urbanos, levando passageiros ricos a bunkers e estâncias isoladas, o sistema pode emitir um alerta aos seguidores.
- O sistema atribui uma classificação de 1 a 5 com base no número de aeronaves a operar, comparando com um valor de referência, e pode enviar notificações por texto ou email quando dispara.
- McDonald afirma que o objetivo é provocar reflexão sobre a desigualdade entre as classes e incentivar ações da sociedade, sem expor indivíduos.
- O projeto surge em contexto de concentração de riqueza nos Estados Unidos e de tensões políticas e militares, incluindo discussões sobre possíveis cenários de catástrofe.
O artista e programador de Los Angeles, Kyle McDonald, criou um Sistema de Alerta Precoce para o Apocalipse, que usa dados de jactos privados para monitorizar potenciais movimentos de elites. A ideia é analisar quando há picos de voos de empresas de fretamento para bunkers e estâncias isoladas, interpretando isso como um possível sinal para o público. O projeto já envia alertas via mensagem de texto ou e-mail, com base num índice que varia de 1 a 5 conforme o volume de aeronaves em operação.
McDonald descreve o dispositivo como uma forma de humor negro sobre a distância entre as classes sociais, mas sustenta que pode servir para tornar perceptível a dinâmica entre ultrarricos e trabalhadores. O sistema não identifica proprietários nem passageiros e utiliza apenas dados públicos de voos. O objetivo, segundo o seu criador, é promover uma cultura de responsabilização sem expor indivíduos.
Era da vigilância
O programa utiliza dados abertos para medir o que chama de nível histórico de emergência, comparando o número de aeronaves em voo com um valor de referência. O recurso pode disparar notificações quando o patamar excede um limiar. McDonald afirma que a ferramenta ajuda a compreender padrões de comportamento entre poderosos e a estimular uma reflexão pública.
Críticos, incluindo o escritor Douglas Rushkoff, veem o rastreador como um indicador do pânico entre milionários, não como previsão de um evento global. Rushkoff tem vindo a defender que parte da riqueza seja canalizada para prevenção de catástrofes, em vez de fortificações.
Contexto económico e social
Nos Estados Unidos, a desigualdade é evidente na distribuição de riqueza: o 1% mais rico detém uma parcela significativa do total, com o 50% mais pobre a possuir uma fatia muito menor. Musk, por exemplo, viu a sua fortuna crescer expressivamente neste ano. A discussão sobre bunkers não é nova: alguns multimilionários já investem em estruturas reforçadas, enquanto outros adotam estratégias de proteção de ativos.
Rushkoff aponta que o detector de apocalipse pode refletir mais o pânico dos ricos do que uma ameaça real, e incentiva um uso mais construtivo dos recursos para enfrentar riscos reais. McDonald refere que a ideia nasceu quando as tensões geopolíticas se intensificaram, num momento de ansiedade social e incerteza global.
Entre na conversa da comunidade