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Neurocientista alerta: cérebro não consegue lidar com excesso de informação

Neurocientista alerta que excesso de informação pode reduzir capacidades do cérebro, com a IA a aumentar a dependência e a perda de funções, como a navegação

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  • O neurocientista Moran Cerf diz que o cérebro humano não lida bem com excesso de informação, o que pode comprometer certas capacidades à medida que dependemos mais da tecnologia.
  • Afirma que o cérebro é antigo, cerca de cento mil anos, e ainda age como se vivesse na savana, o que explica a dificuldade em lidar com abundância de conteúdos.
  • Ilustra que o consumo rápido de plataformas como Netflix e HBO pode prejudicar relacionamentos e a felicidade, sugerindo que é melhor ter opções calibradas.
  • Argumenta que a IA terceiriza competências, o que pode levar à perda de funções como a navegação, com o hipocampo a diminuir de tamanho por não ser necessário navegar.
  • Indica que a economia atual evoluiu da informação para a atenção e, agora, para a cognição, e que a IA pode ser útil ou nociva consoante como gerimos a nossa cognição.

Moran Cerf, neurocientista e professor de negócios, diz à Lusa que o cérebro humano não lida bem com excesso de informação. A dependência da tecnologia pode colocar em causa determinadas capacidades ao longo do tempo.

O investigador, que esteve em videoconferência a partir de Nova Iorque, é um dos oradores do TEDxPorto 2026. Explica que o cérebro evoluiu para um ambiente com menos informação e mais incerteza.

Cerf aponta que a abundância atual de conteúdos, como Netflix e HBO, dificulta manter relações estáveis e equilibradas. Recomenda escolher opções de forma calibrada para a satisfação a longo prazo.

Impacto da IA e da cognição

A IA entra para a análise como ferramenta que pode substituir tarefas de memória e navegação, com efeitos na cognição. O neurocientista sustenta que o cérebro pode perder funções quando externaliza competências.

Segundo Cerf, o uso continuado da IA pode reduzir capacidades como decorar números de contacto ou realizar navegação sem auxílio tecnológico. A evolução tecnológica altera estruturas cerebrais ao longo do tempo.

O pesquisador recorda que a tecnologia facilita a eficiência, ao mesmo tempo que retira certas competências. Alertas indicam que a cognição pode ser manipulada pela forma como a atenção é gerida.

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