Moran Cerf, neurocientista e professor de negócios, diz à Lusa que o cérebro humano não lida bem com excesso de informação. A dependência da tecnologia pode colocar em causa determinadas capacidades ao longo do tempo.
O investigador, que esteve em videoconferência a partir de Nova Iorque, é um dos oradores do TEDxPorto 2026. Explica que o cérebro evoluiu para um ambiente com menos informação e mais incerteza.
Cerf aponta que a abundância atual de conteúdos, como Netflix e HBO, dificulta manter relações estáveis e equilibradas. Recomenda escolher opções de forma calibrada para a satisfação a longo prazo.
Impacto da IA e da cognição
A IA entra para a análise como ferramenta que pode substituir tarefas de memória e navegação, com efeitos na cognição. O neurocientista sustenta que o cérebro pode perder funções quando externaliza competências.
Segundo Cerf, o uso continuado da IA pode reduzir capacidades como decorar números de contacto ou realizar navegação sem auxílio tecnológico. A evolução tecnológica altera estruturas cerebrais ao longo do tempo.
O pesquisador recorda que a tecnologia facilita a eficiência, ao mesmo tempo que retira certas competências. Alertas indicam que a cognição pode ser manipulada pela forma como a atenção é gerida.
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