- Alegações indicam que imagens recolhidas no Pokémon GO podem ter sido usadas para treinar sistemas de IA, sem o consentimento dos jogadores.
- A Niantic Spatial afirma que a participação é voluntária: a funcionalidade de mapeamento de RA é desbloqueada apenas a partir do nível 20, e os utilizadores podem optar por enviar digitalizações de locais públicos de forma anónima.
- Ao ativar a digitalização de RA, os utilizadores concordam em fornecer imagens para melhorar o Sistema de Posicionamento Visual Espacial (VPS) da Niantic, com dados que podem ser partilhados com serviços de terceiros.
- O MIT Technology Review reports que a Niantic Spatial já treinou mais de cinquenta milhões de redes neurais com cerca de trinta mil milhões de imagens, utilizando dados de várias fontes, não apenas do Pokémon GO.
- A Niantic anunciou uma parceria com a Coco Robotics para integrar o VPS e o mapeamento espacial em robôs de entrega, permitindo navegação mais precisa em cidades com mapas 3D detalhados.
O Pokémon GO enfrenta escrutínio sobre a utilização de imagens recolhidas no jogo para treinar sistemas de IA. A polémica ganhou força após o MIT Technology Review ter noticiado a atividade da Niantic Spatial, divisão responsável pela IA da empresa.
O jogo, lançado em 2016, tornou-se fenómeno global, com milhões de jogadores que percorrem cidades ao caçar criaturas virtuais. Em 2024, a Niantic indicou que a base de utilizadores ultrapassava 100 milhões. As informações levantam questões sobre consentimento e utilização de dados.
A empresa defende que a recolha de dados para mapear ambientes é voluntária e opcional. Jogadores que atingem o nível 20 podem ativamente optar por digitalizar locais públicos e enviar imagens de forma anónima para melhorar o Sistema de Posicionamento Visual.
Consento e funcionamento da função de RA
Segundo a Niantic, os utilizadores escolhem enviar digitalizações ao optarem pela funcionalidade de mapeamento de RA. As imagens ajudam a construir modelos 3D de locais reais e a sustentar serviços relacionados, estando descritas nos Termos de Serviço da empresa.
O teste da aplicação pela equipa de verificação confirmou que, em Bruxelas, ao apontar a câmara para uma estátua, surge informação sobre a contribuição para a tecnologia de mapeamento e o envio de dados para terceiros. Os dados recolhidos são usados para fins de melhoria de serviços.
Relevância para IA espacial e aplicações urbanas
O MIT Technology Review indicou que a Niantic Spatial já treinou dezenas de milhões de redes neurais com base em dezenas de milhares de milhões de imagens recolhidas. O objetivo é desenvolver um modelo 3D detalhado do mundo real.
A Niantic afirma que a sua tecnologia VPS oferece posicionamento e orientação baseados na visão, útil onde o GPS é impreciso. A empresa afirma ainda que utiliza dados de fontes adicionais, como robôs, drones e satélites, para enriquecer o modelo urbano.
Parcerias e uso prático em entregas desportivas
Em março, a Niantic anunciou uma parceria com a Coco Robotics para manter a IA espacial em escala na entrega autónoma. Os robôs da Coco operam em várias cidades e utilizam a combinação de mapeamento 3D e VPS para navegar com maior precisão.
A colaboração visa melhorar a performance de robôs que entregam mantimentos, equipamentos e refeições, especialmente em zonas urbanas com GPS menos confiável. A aplicação prática centra-se na navegação eficiente em vias públicas.
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