- A Leonardo apresentou o Michelangelo Dome, uma cúpula modular que integra tecnologias aéreas, terrestres, marítimas, espaciais e cibernéticas, com interoperabilidade na NATO.
- Algumas componentes do sistema serão enviadas para testes operacionais na Ucrânia até ao final de 2026, segundo o plano industrial 2026-2030.
- A plataforma abre possibilidades de aplicações de dupla utilização, com oportunidades estimadas em 21 mil milhões de euros nos próximos dez anos, dos quais 6 mil milhões no período 2026-2030.
- Até 2030, a Leonardo prevê encomendas de 142 mil milhões de euros e receitas de 126 mil milhões de euros, com crescimentos médios anuais de 6,1% e 9% respetivamente.
- O grupo planeia elevar o quadro para 75.500 trabalhadores até 2030, com 28.000 novas contratações, 55% delas para menores de 30 anos.
A Leonardo apresentou em Roma o seu plano industrial 2026-2030, destacando a cúpula Michelangelo Dome. A plataforma, que integra tecnologias aéreas, terrestres, marítimas, espaciais e cibernéticas, visa interpelar, seguir e neutralizar ameaças em diferentes domínios. O objetivo é oferecer uma proteção dinâmica e interoperável, também a nível da NATO.
Segundo o CEO Roberto Cingolani, o projeto prevê finais de 2025 as atividades preliminares e funcionamento total já no final de 2026. Components do sistema deverão chegar à Ucrânia para testes em contexto operacional, conforme o programa de transferência de tecnologia da empresa. Os detalhes operacionais ficam confidenciais.
O que é o Michelangelo Dome
A cúpula utiliza inteligência artificial, computação de alto desempenho e fusão de dados para enfrentar mísseis hipersónicos, enxames de drones, ataques cibernéticos e ameaças híbridas. A mensagem de Cingolani é que nenhum escudo aéreo é absolutamente infalível, reforçando a necessidade de melhoria contínua.
A empresa aponta que a precisão, ainda que elevada, não elimina falhas: mesmo com 96% de fiabilidade, há remissões relevantes quando se consideram grandes volumes de ataques. A inteligência artificial é apresentada como ferramenta de previsibilidade e resposta rápida, sem substituir decisões humanas.
Perspetivas comerciais e estratégicas
Além da vertente militar, o Michelangelo Dome abre oportunidades de dupla utilização. Aplicações para proteção de infraestruturas críticas, monitorização ambiental e agricultura de precisão aparecem como o leque de mercado, estimando-se 21 mil milhões de euros nos próximos 10 anos.
O grupo descreve uma transformação para multinacional com operações nos domínios terrestre, aéreo, naval e espacial. As previsões indicam encomendas de 142 mil milhões de euros até 2030, com receitas de 126 mil milhões de euros e crescimento anual significativo. Observa-se também um aumento do orçamento global de segurança.
Pessoas e sustentabilidade
A Leonardo projeta crescer de 62.700 trabalhadores em 2025 para 75.500 em 2030, com 28.000 novas contratações. Meta inclui maior participação de jovens, de perfis STEM e de mulheres, enfatizando o capital humano como vantagem competitiva.
No âmbito da sustentabilidade, o plano contempla descarbonização, circularidade de materiais e eficiência digital nos processos produtivos. O objetivo é fortalecer a resiliência da cadeia de abastecimento e a inclusão.
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