- A Radio Zamaneh, com sede nos Países Baixos, passou a transmitir em ondas curtas um programa informativo em persa durante as manifestações de janeiro no Irão; o transmissor fica perto dos Países Baixos, o que complica a intervenção das autoridades.
- Alguns iranianos continuam a fazer chamadas de linha fixa para o estrangeiro, porém cartões pré-pagos são caros e o tempo de conversa costuma terminar depressa.
- VPNs ajudam a contornar restrições, mas a internet no Irão funciona a cerca de 1% do normal; algumas pessoas receberam avisos nos telemóveis ao usarem estas ferramentas.
- A Psiphon já teve até seis milhões de utilizadores diários no Irão antes do bloqueio; hoje tem menos de 100 mil, e a situação muda a cada hora; Lantern também oferece dispositivos semelhantes.
- Toosheh, tecnologia de transmissão via televisão por satélite, tinha em 2025 cerca de três milhões de utilizadores ativos no Irão; os dados são recebidos num pendrive e descriptografados no telemóvel ou computador.
A comunidade iraniana tem recorrido a diversas tecnologias para contornar o corte de acesso à internet e manter a comunicação durante as manifestações de janeiro. Em países baixos, a Radio Zamaneh começou a transmitir em ondas curtas um programa informativo em persa, contando com difusão de longa distância que dificulta o bloqueio das autoridades. A diretora Rieneke van Santen explica que o público pode ouvir o espaço num rádio simples, tornando a solução uma ferramenta de emergência.
As opções incluem ainda chamadas telefónicas internacionais, que persistem apesar dos custos e dos limites de tempo, e o uso de redes privadas virtuais para contornar restrições de acesso. Observadores destacam o desafio de manter redes estáveis e seguras, especialmente quando identidades e conversas políticas são alvo de vigilância. O cenário varia consoante o estado das infraestruturas e das medidas de censura.
Rádio de ondas curtas
A iniciativa da Radio Zamaneh permite divulgar informações de forma mais resistente à censura, com o transmissor localizado para além das fronteiras iranianas. A diretora sublinha que a difusão em ondas curtas oferece uma cobertura que não está sujeita aos mesmos filtros que a internet tradicional.
Telefonemas
Mesmo com custos elevados, muitos iranianos ainda utilizam linhas fixas para contactos com o estrangeiro. A organização Witness indica que as conversas evitam temas políticos sensíveis por receio de vigilância. Cartões pré-pagos costumam ter menos tempo de uso do que o anunciado.
VPN
As VPNs permanecem utilizadas para aceder à internet, ainda que o acesso no Irão seja muito limitado. O observatório Netblocks aponta para funcionamento próximo de 1% do normal. Vários utilizadores receberam mensagens de aviso nos telemóveis, associadas a autoridades.
Psiphon e outros recursos
Antes do bloqueio, a Psiphon contava com milhões de utilizadores diários no Irão, mas o serviço reduziu o número para menos de 100 mil. A situação é descrita como dinâmica e sujeita a mudanças constantes. A Psiphon era considerada mais difícil de detetar do que uma VPN clássica.
TV por satélite
A Toosheh, criada pela ONG NetFreedom Pioneers, utiliza dados transmitidos via televisão por satélite para chegar aos iranianos. Os utilizadores gravam os dados num pendrive e descomprimem-nos com aplicações móveis. Em 2025, a base de utilizadores ativos alcançou três milhões, com uso crescente desde o bloqueio de janeiro.
Starlink
A Starlink foi usada para enviar informações ao exterior durante os protestos. No entanto, os terminais têm custo elevado e são de difícil acesso em regiões mais desfavorecidas, como o Curdistão. Organizações de direitos humanos relatam avisos a residências e prisões que possuíam equipamentos Starlink, e as consequências para quem comunica com o exterior podem incluir prisão ou pena de morte.
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