- Investigadores da Universidade do Sul da Califórnia defendem que os chatbots de inteligência artificial podem estar a levar a uma escrita e raciocínio mais homogéneos, reduzindo a diversidade da linguagem humana.
- O estudo, publicado na revista Trends in Cognitive Sciences, apela a que os grandes modelos de linguagem sejam treinados com mais exemplos e maior diversidade real para evitar essa uniformização.
- A uniformização pode afectar a criatividade, a resolução de problemas e o modo como cada pessoa expressa a sua experiência cultural, com potencial impacto na perceção de discurso credível e de raciocínio correcto.
- Um inquérito do Pew Research Center, citado no artigo, indica que mais de metade dos adultos norte‑americanos acredita que a IA pode tornar os humanos menos criativos ou menos capazes de estabelecer laços, mesmo quem não use IA.
- Os autores alertam para a predominância de estilos de escrita ocidentais e de países mais desenvolvidos nos modelos de IA, o que pode limitar vozes diversas e reforçar preconceitos.
A investigação questiona se a inteligência artificial está a reduzir a diversidade da linguagem humana. Um grupo de psicólogos e cientistas computacionais da Universidade do Sul da Califórnia analisa artigos sobre IA e publica as conclusões na revista Trends in Cognitive Sciences.
Segundo o estudo, os grandes modelos de linguagem, como ChatGPT, Claude e Gemini, podem induzir uma escrita e um raciocínio mais homogéneos. A uniformização dependeria do uso massivo destas ferramentas por pessoas em todo o mundo.
Os autores defendem que aumentar a diversidade de dados de treino pode mitigar o fenómeno. Observam que a variedade linguística e de raciocínio é essencial para criatividade, resolução de problemas e expressão cultural individual.
Efeitos na linguagem e no raciocínio
A pesquisa sustenta que a escrita gerada por IA tende a apresentar menos variedade do que a escrita humana. Reflete, assim, estilos e valores predominantes de países ocidentais, mais escolarizados e democráticos, o que restringe perspectivas diversas.
Há o receio de que utilizadores deixem de manter traços próprios na escrita ao editarem textos com IA. Também pode surgir a sensação de que o resultado final não é autenticamente do utilizador, aponta o artigo.
A influência da IA pode estender-se a quem não usa as ferramentas, sugerem os autores, que destacam alterações graduais no que é considerado discurso credível ou raciocínio correcto.
Perspectivas e estudos correlatos
O estudo cita dados de um inquérito do Pew Research Center, que indica que uma maioria de adultos teme que a IA reduza a criatividade humana e a capacidade de ligar-se a outras pessoas.
Os investigadores alertam para o risco de uma tomada de decisão cada vez mais mediada pela IA, com os utilizadores a escolherem opções que parecem suficientemente boas em vez de assumirem o controlo da conversa.
Outros trabalhos já questionam impactos positivos da IA quando usada com moderação, ao passo que alguns estudos do MIT apontam défices cognitivos associados ao uso excessivo para tarefas como redação de textos.
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