- Centros de dados nos Emirados Árabes Unidos foram atingidos por ataques com drones em um de março; um terceiro centro, no Barém, foi danificado por detritos de explosões nas proximidades.
- O Corpo de Guardas Revolucionária Islâmica do Irão reivindicou a responsabilidade, dizendo que visavam identificar o papel destes centros no apoio a atividades militares e de informações do inimigo.
- Analistas dizem que estes podem ser alguns dos primeiros ataques físicos a centros de dados, que suportam aplicações bancárias, serviços na cloud e plataformas de IA.
- A Amazon indicou que, em um de março, vários serviços nos Emirados Árabes Unidos e no Barém estavam indisponíveis ou com perturbações.
- Especialistas defendem que os centros de dados são infraestruturas críticas para IA e tecnologia, e discutem formas de reforçar defesas ou estabelecer acordos legais para protegê-los em contextos de guerra.
No Irão, centros de dados tornam-se alvo de ataques enquanto a guerra moderna alarga o seu perímetro. Dois centros da Amazon nos Emirados Árabes Unidos foram atingidos por drones em 1 de março, e um terceiro, no Barém, sofreu danos por detritos de uma explosão nas proximidades. A reivindicação veio do IRGC, que afirmou visar o papel destas infraestruturas no apoio às atividades militares do inimigo.
A notícia aponta para uma possível escalada, com especialistas a destacar que estes podem ser alguns dos primeiros ataques físicos a este tipo de instalação. Os centros de dados sustentam desde serviços bancários até nuvens e plataformas de IA, tornando-os alvos estratégicos por causa da capacidade de processamento que oferecem.
Em 11 de março, decorreram perturbações para serviços da AWS nos Emirados Árabes Unidos e no Barém, após os incidentes. A Amazon não comentou de forma adicional, remetendo para um comunicado anterior e para a Euronews Next.
Contexto e implicações
Vincent Boulanin, do SIPRI, diz que é provável que estes centros venham a ser visados no futuro, dada a importância para IA, computação e ligações de alta velocidade. Listados como infraestruturas críticas, pesam pela sua presença em operações nacionais de IA e defesa.
Analistas apontam que grandes tecnológicas com hiperscala, como Microsoft, Google Cloud e AWS, poderão ser mais vulneráveis a ataques aéreos. Centros de dados com milhares de servidores ocupam vastas áreas e respondem por significativas capacidades de processamento de dados.
Proteção e medidas
A proteção física das grandes unidades é robusta em solo, com vigilância, cercas e sistemas de deteção. No entanto, o risco de ataques aéreos por parte de estados não era totalmente considerado anteriormente, segundo especialistas.
A Amazon descreve zonas de disponibilidade para reduzir o impacto de desastres. Mesmo diante de um ataque com drones, a ideia é migrar parte do processamento para outras infraestruturas da região, mantendo a continuidade de serviços.
Reformas e cenários futuros
Especialistas sugerem reforçar defesas, incluindo a possibilidade de classificar centros de dados como infraestrutura crítica sob proteção de defesa antimíssil. Outra via é instalar recetores antiaéreos estratégicos junto às instalações.
O debate inclui também a possibilidade de ações legais entre Estados, em caso de ataques em contexto de conflito, e o estudo de medidas transversais para manter a resiliência de redes de IA e nuvens no Médio Oriente.
Perspetivas para o mercado
Antes dos ataques, o mercado de centros de dados nos Emirados Árabes Unidos previa crescimento expressivo, com investimentos de IA norte-americana a impulsionar o setor. Cerca de 35 centros operavam na região, com uma quota significativa de grandes instalações.
O impacto a longo prazo poderá incluir maior cautela de investidores e possíveis alterações nas prioridades de implementação de IA e computação em nuvem na região, conforme avaliadas por analistas. As empresas de IA não comentaram de imediato sobre alterações de estratégia.
As autoridades e as empresas continuam sem comentários adicionais sobre os incidentes, mantendo o foco na proteção de infraestruturas críticas e na continuidade dos serviços de dados essenciais.
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