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Desigualdade salarial de género agrava fosso das pensões na Europa

Na UE, a diferença de pensões é de 24,5%, mais do dobro do fosso salarial de 11,1%, refletindo desigualdades ao longo da vida activa.

Mulheres manifestam-se com cartazes onde se lê «Igualdade salarial já», à direita, e «Solidariedade com as mulheres de todo o mundo», numa marcha do Dia Internacional da Mulher
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  • Na UE, a diferença salarial de género é de 11,1%; o fosso nas pensões é de 24,5%, mais do dobro da diferença salarial.
  • A diferença de pensões resulta da acumulação de desigualdades ao longo da vida, incluindo horas de trabalho, interrupções de carreira e anos em trabalho remunerado.
  • A variação da diferença salarial entre países vai de -0,8% no Luxemburgo a 18,8% na Estónia (2024).
  • Países nórdicos costumam apresentar valores abaixo da média da UE, devido a fatores como cuidados infantis acessíveis e padrões de género.
  • Entre as cinco maiores economias, os gaps de pensões superam a média da UE: Reino Unido 37%, Espanha 29,2%, Itália 28,6%, França 27,2% e Alemanha 25,8%.

A diferença salarial de género persiste na União Europeia (UE) e, ao chegar à reforma, o fosso aumenta significativamente nas pensões. Em média, as pensionistas na UE ganham 24,5% menos que os homens, mais que o dobro da diferença salarial de 11,1%.

O estudo, com dados de 2024 da Eurostat, mostra variações fortes entre países. O fosso salarial vai de -0,8% no Luxemburgo a 18,8% na Estónia, entre 30 estados-membros. Considera-se ainda que a Bélgica, Roménia e Polónia registam dos valores mais baixos.

Em paralelo, a diferença de género nas pensões situa-se acima da média europeia, atingindo 24,5%. Analisando 5 grandes economias, o fosso nas pensões excede 25% em França, Alemanha e Reino Unido; Itália e Espanha seguem perto da média.

Segundo especialistas, a diferença de pensões resulta da acumulação de desigualdades ao longo da vida. Além do salário por hora, contam as horas de trabalho, interrupções de carreira e anos em atividades remuneradas, refletindo a dupla pressão de cuidados familiares.

Entre os fatores apontados, sublinha-se o impacto de empregos a tempo parcial, menores salários ao longo da carreira e pausas para cuidados. Pequenas diferenças ao longo de décadas ampliam-se na reforma devido aos juros compostos das pensões.

Alguns países apresentam menor disparidade de pensões relativa à salarial. Estónia, Eslováquia, Chéquia e Hungria registam diferenças de pensões que não acompanham a escala da diferença salarial, ajudando a reduzir o fosso na aposentação.

A nível europeu, o fosso entre pensões é particularmente elevado nos Países Baixos, Malta, Bélgica e Reino Unido, onde a diferença entre pensões supera os 30 pontos percentuais acima da desigualdade salarial. Malta e Luxemburgo lideram o desnível.

Analistas destacam que o quadro resulta de padrões de emprego e de políticas de cuidados infantis. Pausas de carreira associadas à parentalidade e a predominância de trabalho não remunerado contribuem para a menor acumulação de contribuições.

Numa perspetiva regional, a Europa de Leste apresenta menos diferença entre pensões e salários em certos países, refletindo tradições de retorno rápido ao mercado de trabalho após a parentalidade. O fenómeno persiste, porém, em grande parte do continente.

Em síntese, o fosso de género nas pensões continua a ser superior ao salarial na UE, sinalizando a necessidade de políticas que antecipem impactos na reforma e promovam igualdade de oportunidades ao longo da vida laboral. Fontes: Eurostat e Euronews Business.

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