- Victoria Acosta, mãe de cinco filhos, sobreviveu aos sismos que atingiram a Venezuela a 24 de junho e encontra-se ahora num parque para desalojados em Caracas, junto do marido e dos três filhos mais novos.
- O duplo sismo atingiu principalmente La Guaira, onde a família vivia no edifício Costamar, que acabou por colapsar, obrigando-a a abandonar o local com os filhos.
- Ao sentir os sismos, Victoria acredita ter ouvido “o rugido de um dragão”, e só conseguiu regressar a casa após o abalo: encontrou tudo em escombros.
- A família caminhou quase 30 quilómetros até à capital para fugir de um possível tsunami, sendo depois resgatada pela polícia na autoestrada e encaminhada para um hotel, antes de ficar instalada no parque.
- No refúgio, receberam assistência médica, colchões, comida, água e vestuário; Victoria elogia a solidariedade dos venezuelanos e descreve os filhos como “guerreiros” que a acompanharam.
Victoria Acosta conseguiu escapar de casa com os cinco filhos durante o duplo sismo que atingiu a Venezuela, em 24 de junho. O episódio teve início no setor Los Corales, em La Guaira, e estendeu-se até Caracas, a cerca de 30 km.
A família encontrou abrigo no Parque Alí Primera, uma das principais zonas de refúgio criada pelo Governo para desalojados, na paróquia de Catia, no oeste de Caracas. A mãe de 44 anos descreve o momento como de grande pavor, com a casa desmoronando depois dos sismos.
Ao perceber que não podia regressar, Victoria iniciou a caminhada com os filhos em direção à capital, temendo até um possível tsunami na região costeira. Sobreviveu ao tumulto, sendo posteriormente localizados em estado de choque pelas autoridades.
No local de refúgio, recebeu cuidados médicos, um colchão novo, alimentos e roupas. O grupo passou a realizar atividades de apoio e apoio psicológico, com o objetivo de reconstruir um sentido de normalidade.
As autoridades coordinaram o atendimento aos desalojados, envolvendo a FANB e a Milícia Bolivariana, bem como médicos, enfermeiros e equipes de proteção e assistência. O retorno a casa permanece inviável para muitas famílias.
Entre as crianças, a atmosfera é de normalização temporária: sessões de animação e jogos ajudam a distrair da tragédia. As famílias são recenseadas com pulseiras de identificação para facilitar o contacto com familiares.
Victoria agradece o esforço coletivo e enfatiza que os seus filhos demonstraram coragem ao acompanhá-la. Ela também expressa pesar pelas vidas perdidas e pelas pessoas ainda desalojadas.
No parque, há um fluxo contínuo de donativos, com comida, água, vestuário e sapatos a serem distribuídos. Profissionais de diversas áreas mantêm-se no terreno para apoiar a gestão de crises e a proteção das crianças.
A situação em La Guaira permanece de monitorização constante, com autoridades a avaliar necessidades imediatas e rotas de evacuação, caso surjam novas réplicas. A prioridade é garantir abrigo seguro e continuidade de cuidados básicos.
O epicentro não foi apenas um evento climático, mas uma emergência social que mobilizou redes de solidariedade pública e voluntariado, visando estabilizar famílias afetadas e preservar a dignidade dos desalojados.
Entre na conversa da comunidade